"Enquanto sussurrarmos palavras de amor, fofocarmos, rezarmos ou conversarmos em português, a língua não estará ameaçada." José Luiz Fiorin
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Reflexão: O que é um clássico?
Durante o Renascimento, o termo clássico reapareceria, seja em textos latinos, seja nas línguas vernáculas, referindo-se tanto a autores greco-latinos quanto a autores modernos da própria época, considerados modelos de linguagem literária na língua vernácula.
No século XVIII - o termo se estenderia aos autores que aceitavam os cânones da retórica greco-latina: ordem - clareza - medida - equilíbrio - decoro - harmonia e bom gosto.
Tornou-se, pois, a base de uma estética essencialmente normativa. Assim, clássico indicando modelo exemplar cristalizou-se como tradição, como cânone gramatical e semântico, como relicário do idioma e como um conjunto de regras imutáveis, isto é, universais e ahistóricas. No plano da mensagem, o que valia para caracterizar um clássico era a sua dimensão edificante, seus componentes morais e a sua capacidade de apresentar as paixões humanas de forma decorosa.
No século XIX, a grande rebelião romântica começou a destruir a rigidez conservadora que envolvia a idéia de uma obra clássica. Victor Hugo mandou as regras às favas, abrindo um caminho mais liberto para a criação literária. Contudo, foram as vanguardas das primeiras décadas do século XX - especialmente Futurismo e Dadaismo - que levaram a ruptura com o classicismo às ultimas conseqüências, propondo, a exemplo de Marinetti, a destruição de bibliotecas, museus e tudo aquilo que representasse o "peso vetusto da tradição".
Passado o furor das vanguardas, o que ficou? No plano do senso comum, clássico hoje indica uma obra artística superior, definitiva e que, por seus vários elementos estético-ideológicos, aproxima-se daquilo que (de forma mais ou menos nebulosa) chamaríamos de perfeição. Porém esta obra não tem mais o sentido normativo que possuía no passado já que sua beleza lhe é irredutivelmente própria. Verdade que, nas escolas, a reverência exagerada aos clássicos - sobretudo aos da Antigüidade - veio até a década de 1960, ao ponto de muitos de nós, professores, termos sido torturados, nas aulas de língua portuguesa, com a análise sintática de Os Lusíadas.
As sucessivas mudanças culturais, corridas no Ocidente, especialmente a partir dos anos de 1960, quebraram toda e qualquer idéia de obra modelar e instauraram um conceito mais amplo e flexível do que seria um clássico.
O que delimita um clássico?
Esquematicamente poderíamos apontar alguns traços definidores do que hoje se considera um texto clássico:
1. São obras que ultrapassam o seu tempo, persistindo de alguma maneira na memória coletiva e sendo atualizada por sucessivas leituras, no transcurso da história.
2. Apresentam paixões humanas de maneira intensa, original e múltipla. São paixões universais (ou pelo menos "ocidentais") e têm um grau de maior ou menor flexibilidade em relação à historicidade concreta.
3. São obras que registram e simultaneamente inventam a complexidade de seu tempo. De maneira explícita ou implícita desvelam a historicidade concreta, as idéias e os sentimentos de uma época determinada. Há uma tendência geral: quanto mais explícita for a revelação histórica, menor o resultado estético. Na verdade, o espírito da época deve estar introjectada na experiência dos indivíduos.
4. São obras que criam formas de expressão inusitadas, originais e de grande repercussão na própria história literária. Há clássicos que interessam em especial (ou talvez unicamente) ao mundo literário, como, por exemplo, o Ulisses, de Joyce.
5. São obras de reconhecido valor histórico ou documental, mesmo não alcançando a universalidade inconteste. Nesta linha situam-se aquelas obra que são clássicas apenas na dimensão da história literária de um país, como por exemplo, a obra de José de Alencar, ou apenas de uma região, como por exemplo as obras de Cyro Martins ou Aureliano de Figueiredo Pinto.
6. Talvez a característica fundamental de uma obra clássica seja a sua inesgotabilidade. Ou como diz Calvino: "Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer".
7. Um clássico é fundamental também pelo efeito que deflagra na consciência do leitor. Sob esta ótica, devemos considerar que ele é, simultaneamente:
• Forma única de conhecimento - transmite paixões humanas oriundas de um patrimônio universal (que é a experiência do homem);
• Utilização da linguagem de uma maneira exemplar, original e inesperada;
• Um conjunto de revelações, idéias e sentimentos que têm a propriedade de durar na memória mais do que outras manifestações artísticas (música, cinema, etc.) Estas podem ter (e geralmente têm) um impacto maior na hora da fruição, mas seu prolongamento emotivo - a sua duração - é mais breve e inconsistente do que o proporcionado pela grande obra literária.
• Um não contra a morte. Por perdurar, a obra clássica ultrapassa o tempo e a finitude humana. De uma certa forma, é um protesto contra o sem sentido da vida.
Bibliografia:
Calvino, Italo. Por que ler os clássicos. São Paulo, Companhia das Letras, 1993.
Drummond
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
Vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas que ora te ofereço:
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
1. De que palavra se utiliza o poeta para mostrar que ter nascido em Itabira o fez diferente?
2. Por que ele diz ser “de ferro”? Em que outro sentido estão também usadas estas palavras no poema?
3. O poeta guardou de Itabira a lembrança das noites em claro, de uma vida sem distrações e sem perspectivas. Que verso exprime isso?
4. Que espécie de sentimento quis o poeta exprimir com os versos relativos à fotografia de Itabira?
5. Depois de falar em orgulho o poeta fala em cabeça baixa. Esta expressão denuncia a existência também de um sentimento oposto ao orgulho. Que sentimento é esse?
Texto II: Os Ombros Suportam O Mundo (Drummond)
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
6. Em três versos o poeta exprime sua recusa em aceitar o amor apenas do homem pela mulher. Que versos são esses?
7. Em que verso o poeta resume os grandes problemas que afligem o mundo atual?
8. Como o poeta se refere àquele que se recusam a enfrentar a realidade que os cerca?
9. Embora sozinho e nada mais esperando da vida, o poeta parece enxergar uma luz de esperança na escuridão. Em que verso ele exprime isso?
10. Que expressão é usada para sugerir que o peso dos problemas que o cercam não o abate?
Texto III: Mãos Dadas (Drummond)
Não serei o poeta se um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
A vida presente.
11.“Não serei o poeta de um mundo caduco”.Que sentimento tem o adjetivo caduco nesse verso?
12. Transcreva do texto o verso em que o eu lírico expressa claramente seu desejo de solidarizar-se com os homens e não de isolar-se.
13.O que há de comum entre “mundo caduco” e “mundo futuro” para que o eu lírico se recuse a cantá-los?
14. Transcreva os versos em que o eu lírico se recusa a usar a poesia como simples expressão sentimental do seu mundo interior
Uso de crase
• Pronomes relativos (ex: eis a mulher a cuja empregada ajudamos)
• Verbos (ex: a fazer)
• Artigo indefinido (ex: a uma)
• Pronome pessoal (exs: a ela, a V.a)
• Pronome indefinido (a cada, a toda, a alguma, a nenhuma, a essa, a esta, a certa)
• Pronome interrogativo (ex: A qual?)
• Locuções repetidas (ex: gota a gota)
• Preposição (ex: ante a comissão)
• Terra # bordo (ex: o navio voltou a terra)
• Casa = residência (ex: voltei a casa)
Obs: voltei à casa dos sonhos (com complemento = determinada)
às sete horas / refiro-me às três candidatas (numeral determinado)
não vejo bem a distância / ele estava à distância de dez metros (com complemento)
SIM, ANTES DE
• Locuções adverbiais femininas (exs: às vezes, à noite)
• Locuções conjuntivas femininas (ex: à medida que)
• Locuções prepositivas femininas (exs: em frente à grade, à procura de)
• Pronomes demonstrativos (ex: àquele, àquilo)
• Conjunção proporcional (à medida que, à proporção que)
• Horas (ex: às 13:00 horas)
• “À moda” (ex: à inglesa)
• Nome de lugar (ex: fui à Bahia)
Obs: vou a Roma (venho de Roma), vou à Itália (venho da Itália)
resposta igual à que dei (determinada)
OPCIONAL
• Pronomes possessivos (ex: a/à sua, a/à dela)
• Substantivos próprios (ex: a/à Sônia)
Obs: Obs: há = passado
a = futuro
A Velha Contrabandista
A Velha Contrabandista
Stanislaw Ponte Preta
Diz que era uma velhinha que sabia andar de lambreta. Todo dia ela passava pela fronteira montada na lambreta, com um bruto saco atrás da lambreta. O pessoal da Alfândega - tudo malandro velho - começou a desconfiar da velhinha.
Um dia, quando ela vinha na lambreta com o saco atrás, o fiscal da Alfândega mandou ela parar. A velhinha parou e então o fiscal perguntou assim pra ela:
- Escuta aqui, vovozinha, a senhora passa por aqui todo dia, com esse saco aí atrás. Que diabo a senhora leva nesse saco?
A velhinha sorriu com os poucos dentes que lhe restavam e mais os outros, que ela adquirira no odontólogo, e respondeu:
- É areia!
Aí quem riu foi o fiscal. Achou que não era areia nenhuma e mandou a velhinha saltar da lambreta para examinar o saco. A velhinha saltou, o fiscal esvaziou o saco e dentro só tinha areia. Muito encabulado, ordenou à velhinha que fosse em frente. Ela montou na lambreta e foi embora, com o saco de areia atrás.
Mas o fiscal ficou desconfiado ainda. Talvez a velhinha passasse um dia com areia e no outro com moamba, dentro daquele maldito saco. No dia seguinte, quando ela passou na lambreta com o saco atrás, o fiscal mandou parar outra vez. Perguntou o que é que ela levava no saco e ela respondeu que era areia, uai! O fiscal examinou e era mesmo. Durante um mês seguido o fiscal interceptou a velhinha e, todas as vezes, o que ela levava no saco era areia.
Diz que foi aí que o fiscal se chateou:
- Olha vovozinha, eu sou fiscal de alfândega com 40 anos de serviço. Manjo essa coisa de contrabando pra burro. Ninguém me tira da cabeça que a senhora é contrabandista.
- Mas no saco s ó tem areia! - insistiu a velhinha. E já ia tocar a lambreta, quando o fiscal propôs:
- Eu prometo à senhora que deixo a senhora passar. Não dou parte, não apreendo, não conto nada a ninguém, mas a senhora vai me dizer: qual é o contrabando que a senhora está passando por aqui todos os dias?
- O senhor promete que não "espáia"? - quis saber a velhinha.
- Juro - respondeu o fiscal.
- É lambreta.
1- Qual é o título da narrativa e quem é o autor?
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2- Quem são as personagens da história?
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3- Trace um perfil das seguintes personagens:
a) a velha _______________________________________________________
_______________________________________________________________
b) o fiscal: ______________________________________________________
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4- O tempo em que se passa a história é determinado pelo autor? Justifique sua resposta transcrevendo trechos do texto. ___________________________
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5- Onde se passa a história?_______________________________________
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6 – O narrador é observador ou personagem? Transcreva um trecho do texto que justifique sua resposta. _______________________________________
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Substantivo
a) garota inteligente
b) pássaro livre
c) máquina ociosa
d) prédio alto
e) namorados felizes
2. Complete as frases abaixo com os seguintes coletivos:
FLORA ENXAME NUVEM FAUNA MOLHO CONSTELAÇÃO
a) A Amazônia tem ricas e exóticas _________ e ___________.
b) O apicultor foi atacado por um ________ de uma colmeia que estava aberta.
c) Fomos surpreendidos por uma _________ de gafanhotos.
d) No alto, a _____________ ornou o céu noturno.
e) Deixei o __________ de chaves perto da porta.
3.Complete o quadro:
Masculino Feminino Masculino plural Feminino plural
papai
cidadão
guarda-civil
menininho
ator
juiz
amante
homem
cão
co-autor
4.Indique os substantivos abstratos de ação referentes aos seguintes verbos:
caçar voltar estudar sair parar
dar ir ajudar sossegar cumprimentar
nadar redigir escrever ler resolver
morar falar pagar governar dirigir
5. Classifique os substantivos em abstrato ou concreto:
a) O pato selvagem é excelente caça.
b) A caça aos meliantes foi prolongada e intensa.
c) A fortuna não bate à porta dos egoístas.
d) Este homem tem imensas riquezas.
e) A riqueza não traz a felicidade.
f) A pintura moderna é superior à dos gregos.
g) o Discóbolo de Mirão é uma escultura célebre.
h) Fazer justiça é o dever dos governos.
i) O governo da coisa pública deve ser orientado pela Justiça de olhos vendados.
6. Forme o plural dos diminutivos:
papelzinho coraçãozinho colherzinha florzinha
mãozinha mulherzinha fiozinho narizinho
irmãzinha anelzinho farolzinho irmãozinho
7. Dê a forma feminina para os substantivos masculinos:
irmão ator barão elefante hóspede
abade perdigão cavalo carneiro o mártir
juiz professor o ouvinte ateu o intérprete
judeu europeu genro compadre padrinho
cavaleiro cavalheiro padrasto frade rico-homem
8. Forme o plural das seguintes palavras estrangeiras correntes no português:
dólar corpus campus lady blitz
9. A partir dos adjetivos dados, forme substantivos abstratos:
claro escuro forte fraco inteligente dócil
rico pobre alto altivo constante tímido
justo sóbrio divino célebre difícil sutil
legal pálido branco preto distinto ágil
10. Leia as afirmativas e responda o que se pede:
- O cônjuge se aproximou.
- O servente veio atender-nos.
- O gerente chegou cedo.
Não está claro se é homem ou mulher:
a) na primeira afirmação.
b) na segunda afirmação.
c) na terceira afirmação.
d) na primeira e segunda afirmações.
e) na segunda e terceira afirmações.
O Classicismo
Quando da bela vista e doce riso
Tomando estão meus olhos mantimento,
Tão enlevado sinto o pensamento
Que me faz ver na terra o Paraíso.
Tanto do bem humano estou diviso,
Que qualquer outro bem julgo por vento;
Assi que em caso tal, segundo sento,
Assaz de pouco faz quem perde o siso.
Em vos louvar, Senhora, não me fundo,
Porque, quem vossas cousas claro sente,
Sentirá que não pode merecê-las.
Que de tanta estranheza sois ao mundo,
Que não é de estranhar, Dama excelente,
Que quem vos fez fizesse céu e estrelas.
Vocabulário:
Tomando mantimento: tomando consciência
Estou diviso: estou separado
Sento: sinta
Não me fundo: não me empenho
1. Caracterize brevemente a concepção de mulher que este soneto apresenta.
2. Aponte duas características desse soneto que o filiam ao Classicismo, explicando-as sucintamente.
Texto II:
Amor é fogo que arde sem se ver;
é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
é solitário andar por entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
3. O poema tem, como característica, a figura de linguagem denominada antítese, relação de oposição de palavras ou idéias. Assinale a opção em que essa oposição se faz claramente presente.
a) “Amor é fogo que arde sem se ver.”
b) “É um contentamento descontente.”
c) “É servir a quem se vence, o vencedor.”
d) “Mas como causar pode seu favor.”
e) “Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”
4. O poema pode ser considerado como um texto:
a) argumentativo.
b) narrativo.
c) épico.
d) de propaganda.
e) teatral.
5.Como se denomina a forma em que está composto?
6.É um exemplo de medida nova ou medida velha? Por quê?
7. Qual a figura de linguagem presente em todo o poema e
por que ela foi utilizada?
8. O que a indagação final revela?
9. Na lírica de Camões:
a) O metro usada para a composição dos sonetos é a redondilha maior.
b) Encontram-se sonetos, odes, sátiras e autos.
c) Cantar a pátria é o centro das preocupações.
d) Encontra-se uma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX.
e) A mulher é vista em seus aspectos físicos, despojada de espiritualidade.
10. “No mar, tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida;
Na terra, tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segurança a curta vida,
Que não se arme e se indigne o céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?”
Nesta estrofe, Camões:
a) exalta a coragem dos homens que enfrentam os perigos do mar e da terra.
b) considera quanto o homem deve confiar na providência divina que o ampara nos riscos e adversidades.
c) lamenta a condição humana ante os perigos, sofrimentos e incertezas da vida.
d) propõe uma explicação a respeito do destino do homem.
e) classifica o homem como um bicho da terra, dada a sua agressividade.
11. Por que o Renascimento tem esse nome?
12. Ilustra a situação literária do período renascentista, exceto:
a) Os melhores autores da Antiguidade greco-latina foram tomados como modelos ideais.
b) Na produção lírica, predominou o amor paixão, relegando-se a segundo plano o amor como idéia, mais espiritualizado.
c) O princípio da imitação literária existiu, mas não significou cópia servil dos textos imitados.
d) O desenvolvimento da razão levou os autores ao desejo de analisar, de conhecer, de sistematizar o fenômeno literário.
e) Criação de uma estética de caráter antes racional do que baseado na impulsão dos sentidos.
13. Assinale a alternativa incorreta sobre Os Lusíadas.
a) Os Lusíadas são a mais importante epopéia de todo o Renascimento europeu, e está entre as maiores de todos os tempos.
b) Por ser a maior glória da língua e literatura portuguesa, Os Lusíadas tornaram-se referência obrigatória, influindo na poesia brasileira e portuguesa dos séculos posteriores.
c) Os Lusíadas são um canto de louvor à glória do povo português, verdadeiro protagonista do poema, como sugere o próprio título, que significa “os lusitanos”, isto é, “os portugueses”.
d) Sem duvida, o tom patriótico que exalta a superioridade lusitana é muito forte em Os Lusíadas, o que dá ao poema um valor exclusivamente nacionalista.
e) Desde o primeiro verso de Os Lusíadas (“As armas e os barões assinalados”), nota-se que um dos modelos importantes do poema de Camões é a Eneida, de Virgílio, que apresenta no início uma frase imitada pelo poeta português: “Arma uirunque cano...” (eu canto as armas e o varão...)
14. Assinale a alternativa correta.
a) Os Lusíadas têm como maior herói o rei D. Sebastião, celebrado como o responsável pela expedição de Vasco da Gama à Índia.
b) O sentimento cristão declarado de Os Lusíadas impede a manifestação do erotismo, que a mitologia greco-latina contém.
c) Os Lusíadas são um poema épico de exaltação nacionalista, pois celebram os grandes feitos dos portugueses. No entanto, Camões ultrapassa a particularidade nacional ao celebrar os valores universais da civilização européia.
d) O episódio de Inês de Castro não tem fundamento histórico, trata-se de uma bela ficção crida pela genial imaginação de Camões.
e) Os Lusíadas nada têm de aristocrático, como se pode notar na intenção de exaltar todo o povo português, e não somente uma elite.
15 .Assinale a alternativa correta.
a) Camões compôs sua poesia lírica em versos de medida velha (origem ibérica medieval) e medida nova (origem italiana renascentista).
b) Destacam-se, entre os poemas líricos de Camões, os sonetos, em que são mínimas as influências do poeta humanista italiano Petrarca e do filósofo clássico grego Platão.
c) Na poesia lírico-amorosa, Camões esteve estritamente ligado à perspectiva neoplatônica, o que explica a inexistência de erotismo em seus sonetos.
d) Entre os temas da lírica camoniana, destaca-se o do “desacerto do mundo”, segundo o qual a natureza do mundo é contraditória e estática,
e) Há, na poesia lírica de Camões, um total abandono de temas bíblicos e cristãos e uma adesão completa ao paganismo greco-latino.
Texto V
Esparsa
Os bons vi sempre passar
No mundo grandes tormentos;
E, para mais m`espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mal, mas fui castigado:
Assi que, só para mim
Anda o mundo concertado.
16. Assinale a alternativa correta.
a) Poema épico em “medida velha”; temática neoplatônica.
b) Poema satírico em “medida nova”, tematizando o desacerto do mundo.
c) Poema lírico de “medida velha”, tematizando o desconcerto do mundo.
d) Poema dramático em “medida nova” sobre o pessimismo.
e) Poema lírico em “medida nova” sobre a mutabilidade de todas as coisas.
Texto VI
As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram, ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana.
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
E também as memórias gloriosas
Daqueles reis, que foram dilatando
A Fé, o Império e as terras viciosas
De África e de Ásia, andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Cessem do sábio grego e do troiano
As navegações grandes que fizeram:
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram,
Que eu canto o peito ilustre lusitano,
A quem Netuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
17. Assinale a alternativa incorreta.
a) Essas estrofes, que abrem Os Lusíadas, contêm a Proposição do poema.
b) O desdobramento do mar desconhecido, a descoberta do caminho marítimo para a Índia, a expansão do Império português e do cristianismo por África e Ásia são o assunto do poema.
c) O poema afirma a superioridade das navegações e dos feitos dos heróis portugueses perante os de Grécia e Roma antigas.
d) O primeiro verso de Os Lusíadas imita a abertura da Eneida, de Virgílio, onde se lê: “Arma uirumque cano... “ (eu canto as armas e o varão...).
e) O poeta se diz capaz de libertar os homens da lei da morte, por força de seu engenho e arte.
Texto VII:
Alegres campos, verdes arvoredos,
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxais ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos;
Silvestres montes, ásperos penedos,
Compostos em concerto desigual,
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.
E, pois me já não vedes como vistes,
Não me alegrem verduras deleitosas,
Nem águas que correndo alegres vêm.
Semearei em vós lembranças tristes,
Regando-vos com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades de meu bem.
18. Assinale a alternativa errada.
a) O poema inicia com uma apóstrofe aos “alegres campos”, aos “verdes arvoredos” e às “claras e frescas águas”, isto é, a natureza é a interlocutora do eu lírico.
b) Na segunda estrofe, o eu lírico declara à paisagem que ela não pode mais alegrar seus olhos, pois ele é dominado por um mal que o impede de ser feliz.
c) A terceira estrofe explica que a impossibilidade de a agradável paisagem alegrar o eu lírico se deve a uma mudança que este sofreu.
d) Na quarta estrofe, o eu lírico declara sua disposição de modificar a paisagem, semeando nela o que nele está: “lembranças tristes”, que regadas de lágrimas farão nascer “saudades de meu bem” .
e) O poema, como um todo, tematiza a harmonia entre a aspereza da paisagem bucólica e a delicadeza de sentimentos do eu lírico.
19. Em linhas gerais, o que foi o Renascimento?
Texto IX
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.
20. A quem Camões se dirige nos versos citados, que iniciam um célebre soneto do autor?
21. Como se deu a morte da pessoa aludida nos versos?
Literatura - Introdução
1 Classicismo greco-romano: Visão pagã do homem, apresentado como um ser perfeito, quase um super-herói. Busca da expressão perfeita. Culto da objetivamente. Antropocentrismo, isto é, o homem no centro dos interesses e objetivos (da arte).
2 Medievalismo: Visão cristã. A terra é passagem para o céu, que é a verdadeira preocupação do homem. Este é um ser imperfeito quanto ao corpo, que é necessário purificar. Religiosidade e subjetivismo. Teocentrismo (Deus passa a ser o centro de tudo),
3 Classicismo e Renascimento: Negação dos princípios medievais e valorização da estética greco-romana. Super-homens, símbolos do predomínio da terra e do corpo sobre o céu e alma. Culto da perfeição, da objetividade.
4 Barroquismo: Tentativa de combater a volta ao espírito pagão, dominante no Renascimento. Procura a fusão céu + terra, espírito + matéria, alma + corpo. Esta fusão impossível cria angústia, contradições, aparência de confusão e imperfeição. É o estilo da Contra-Reforma.
5 Arcadismo, Neoclassicismo: Busca a calma e a simplicidade, perdidas durante o Barroco. Procura-se o ideal da vida no contato com a terra, o campo (Arcadismo) ou no culto das ciências e na volta ao Classicismo (Iluminismo e Neoclassicismo).
6 Romantismo: É o estilo da revolução Francesa, que, por si mesma, é o símbolo do ideal nacionalista, popular e da negação do passado clássico elitizante. É o culto do amor, do mistério, do exótico, do passado medieval como berço da nacionalidade. É a fuga do meio social, através da “viagem” ao próprio Eu, ao passado, à natureza. É o estilo da liberdade.
7 Realismo, Parnasianismo, Naturalismo: Negação da fuga romântica, valorizando-se o real, o contemporâneo. Negação do sonho, do subjetivismo e culto do retrato fidedigno, do relato da “vida como ela é” (Realismo) ou, mesmo, do enfoque de tipos e fatos os mais torpes e podres (Naturalismo). Ideal da perfeição e da objetividade. Na poesia, o Parnasianismo. É o estilo do materialismo, do cientificismo ateu, do evolucionismo de Darwin.
Temas sociais e atividades de trabalho aparecem, constantemente, nas obras da Época Realista.
8 Simbolismo: O homem, saturado do real-material, procura, no sonho, a perfeição. Culto do inconsciente, do Exótico, do Indizível.
9 Modernismo: Tentativa de renovação total através do combate violento de quase todo o passado. Busca da nova maneira de expressar o que jamais foi enfocado. Diversas e contraditórias correntes, algumas com o propósito implícito de escandalizar o burguês. Pesquisa de novas expressões e de expressão de novas “realidades”, muitas até então inexploradas. É uma libertação maior ainda que a romântica
As eras literárias brasileiras
A literatura brasileira tem sua história dividida em 2 grandes eras: que acompanham a evolução política e econômica do país: a Era Colonial e a Era Nacional, separadas por um período de transição, que corresponde à emancipação política do Brasil. As eras apresentam subdivisões chamadas de escolas literárias ou estilos de época. Dessa forma, temos:
Era Colonial: de 1500 a 1808
- Quinhetismo, de 1500 a 1601: conjunto de textos sobre o Brasil, que evidenciam a condição brasileira de terra nova a ser conquistada.
- Seiscentismo ou Barroco, longo período que se estende de 1601 a 1768.
- Setecentismo ou Arcadismo, de 1768 a 1808, constitui no que poderíamos chamar, verdadeiramente, o primeiro momento de uma literatura sistematizada produzida no Brasil.
Período de transição: de 1808 a 1836
A turbulência dos acontecimentos políticos dominou a cena a ponto de não encontrarmos, nesse período, uma única obra literária significativa.
Era Nacional: de 1836 até nossos dias
- Romantismo, de 1836 a 1881, é a 1ª escola literária com traços genuinamente nacionais.
- Realismo, de 1881 a 1893, o que denominamos aqui escola realista constitui um amplo movimento literário que envolve três tendências distintas: romance realista, romance naturalista e poesia parnasiana.
- Simbolismo, de 1893 a 1922
- Modernismo, de 1922 até nossos dias atuais, representa o grande divisor de águas da literatura brasileira, estabelecendo os limites entre o velho e o novo, entre o ultrapassado Brasil rural e o moderno país industrial e urbano.
1. Numere os parênteses, estabelecendo a correspondência entre o movimento literário e sua característica.
1. Romantismo
2. Parnasianismo
3. Simbolismo
4. Modernismo
( ) Predomínio do sentimento e do sonho sobre a lógica e a razão.
( ) Desmistificação dos ideais passados, linguagem coloquial, liberação da forma.
( ) Ideal de arte pura, com emprego de recursos plásticos da linguagem em versos perfeitos.
( ) Busca do divino e do transcendental; escolha das palavras pela musicalidade e pela interrelação com os sentidos
2. Entre as palavras sublinhadas, no poema “As rosas do tempo”, são conotativas:
As rosas do tempo
Admirável espírito dos moços
A vida te pertence. Os alvoroços,
As iras e entusiasmos que cultivas
São as rosas do tempo, inquietas, vivas.
Erra e procura e sofre e indaga e ama,
Que nas cinzas do amor perdura a flama.
(Carlos Drummond de Andrade)
a) rosas, cinzas, flama.
b) admirável, rosas, cinzas
c) moços, entusiasmos, rosas
d) cinzas, flama, admirável
e) entusiasmos, rosas, flama
3. Segundo o texto abaixo, qual é a condição fundamental para a condição poética?
A um passarinho
Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
(Vinícius de Moraes)