domingo, 2 de junho de 2013

As formas nominais do verbo são o gerúndio, infinitivo e particípio. Não apresentam flexão de tempo e modo, perdendo desta maneira algumas das características principais dos verbos. Por serem tomadas como nomes (substantivos, adjetivos e advérbios), recebem o nome de formas nominais.

Infinitivo 

O infinitivo indica a ação que é propriamente dita, sem situá-la no tempo, desempenhando uma função semelhante a substantivo. O infinitivo é o nome do verbo. Exemplos: ler, dormir, falar, sonhar.
É preciso aumentar o número de verbetes.
O infinitivo pode apresentar algumas vezes flexão em pessoa, constituindo assim duas formas possíveis: o infinitivo pessoal e o infinitivo impessoal. É melhor estudarmos agora. (infinitivo pessoal com sujeito nós implícito). Viver aqui é muito bom. (infinitivo impessoal)

Particípio passado

O particípio passado indica uma ação já acabada, finalizada, adquirindo uma função parecida com a de um adjetivo ou advérbio. O particípio passado regular é reconhecido pelos sufixos "-ado","-ido".
Exemplos: acabado, finalizado, vivido.
Temos estado de repouso.
Exceções: ganho, gasto, pago, dito, escrito, feito, visto, posto, aberto, coberto, vindo.
Ele foi preso ontem. Também existem os particípios na Voz Ativa e na Voz Passiva.

Gerúndio

O gerúndio indica uma ação em andamento, um processo verbal ainda não finalizado. Pode ser usado em tempos verbais compostos ou sozinho, quando adquire uma função de advérbio.;
Estou finalizando os exemplos deste verbete. (tempo composto)
Fazendo teu trabalho antecipadamente, não terás preocupações. (gerúndio sozinho com função de advérbio).
O gerúndio é reconhecido pelos verbos terminados em ndo. Exemplos: subindo, caminhando, gravando, enchendo, perdendo, difundindo e etc.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Curriculum Vitae


O curriculum vitæ (do latim trajetória de vida), também abreviado para CV ou apenas currículo (por vezes utiliza-se o termo curricula, como forma no plural do termo) é um documento de tipo histórico, que relata a trajetória educacional e/ou acadêmica e as experiências profissionais de uma pessoa, como forma de demonstrar suas habilidades e competências. De um modo geral ocurriculum vitae tem como objetivo fornecer o perfil da pessoa para um empregador, podendo também ser usado como instrumento de apoio em situações acadêmicas.
O curriculum vitae é uma síntese de qualificações e aptidões, na qual o candidato a alguma vaga de emprego descreve as experiências profissionais, formação acadêmica, e dados pessoais para contato. Ainda é a forma que muitas empresas usam para preencher vagas de emprego.
A entrega do currículo é apenas a primeira fase da admissão em uma instituição, as fases posteriores compreendem em entrevista e prova de conhecimentos.
A utilização e o papel social do CV varia nos diversos países consoante as políticas de empregabilidade e educação. Da mesma maneira o formato pode variar dependendo do contexto. Embora de um modo geral seja um documento apresentado de forma sintetizada, idealmente com uma ou duas páginas,[1] em certos casos deve ser mais detalhado.
Atualmente há programas de computador que permitem a criação de um currículo através do preenchimento de formulários. Muitas empresas utilizam-se deste recurso na Internet para catalogar candidatos a empregos.
Uma variante do CV é o portfólio, que tem o mesmo objetivo em linhas gerais, mas presta-se a dar pequenas mostras da habilidades da pessoa, sendo mais utilizado por profissionais das áreas relacionadas com artes ou produção. Este currículo permite a sistematização das experiências significativas ao contexto solicitado.
Como fazer o curriculo? Essa é uma dúvida comum, e oferecer um bommodelo de curriculo (curriculum vitae ou CV) que possa ser preenchido pelo candidato a um emprego (com ou sem experiência profissional já bem estabelecida) ou estágio costuma ser uma boa primeira resposta.
Mas muitas pessoas em busca de uma vaga ou de uma oportunidade para entrevista caem em uma armadilha comum: repetem sempre os mesmos batidos modelos de currículo criados em mil novecentos e máquina de escrever sem tinta e assim parecem apenas "mais um na multidão" desde o primeiro momento em que o recrutador tem contato com suas informações.

Um bom curriculum, bem apresentável e redigido, pode não garantir um emprego mas é, sem sombra de dúvidas, um passo importantíssimo para alcançá-lo. Grande parte das pessoas possuem questionamentos sobre como criar seu curriculum, principalmente aquelas que estão entrando agora no mercado de trabalho.

Análise do Modelo de Currículo Proposto

1) Cabeçalho ou Topo
No topo do curriculum devem aparecer suas informações pessoais: nome completo, estado civil, idade, endereço completo e, principalmente, seus dados de contato. Acredite, muitas pessoas esquecem de colocar seu telefone e e-mail atualizados, são selecionadas e perdem assim a oportunidade de uma entrevista. Número da carteira de identidade, CPF, Documento Militar e outros documentos ficam de fora.
Cabeçalho do Curriculum

2) Objetivo
O segundo tópico do seu curriculum vitae descreve a que vaga ou oportunidade você tem interesse em concorrer.
Objetivo do Candidato

3) Formação
Descreva nesta sessão sua formação acadêmica. Inclua apenas dados relevantes mais atuais. Nenhum profissional de seleção deseja saber aonde você cursou seu pré-primário.
Formação Acadêmica

4) Experiência Profissional
Nesta sessão você deve listar suas experiências profissionais mais importantes. A maneira mais utilizada é listá-las em ordem inversa, ou seja, as mais recentes primeiro. Informe o período em que esteve empregado, o nome da empresa, o cargo exercido, as principais atividades e possíveis resultados destacáveis obtidos. Observe como isto é feito no modelo de curriculum vitae preenchido disponível para download acima.
Experiência Profissional

5) Qualificações e Atividades Profissionais
Aproveite este trecho do currículo para informar cursos que tenha concluído (que sejam relevantes para a vaga almejada) e outras qualificações obtidas ao longo de sua carreira.
Qualificações e Atividades Profissionais

6) Informações Adicionais
Utilize esta sessão opcionalmente para informar quaisquer outros dados que julgue significativos para a vaga.
Informações Adicionais


Retirado deste Site. 




domingo, 23 de setembro de 2012

Resumo X Resenha



RESUMO - É a condensação de conteúdo, sem análise crítica ou interpretação. Deve ter  o mesmo vocabulário do autor e seguir a mesma ordem do texto.
O resumo deve ter:
a)      brevidade
b)      claridade
c)      fidelidade

RESENHA - Não deixa de ser uma condensação do texto, mas também há a análise interpretativa do texto lido.
É um resumo crítico, deve existir uma apreciação crítica sobre a obra. Como fazer a resenha?
Primeiramente deve-se resumir o conteúdo e depois fazer a transição para a crítica, seguindo o esquema:
a)      introdução
b)      desenvolvimento
c)      conclusão
d)     crítica (quando for feita a parte)
A resenha é muito utilizada em jornais e revistas
Se não houver segurança no tema é melhor chamar o trabalho de comentário ou fichamento.



Referência Bibliográfica:
 Elaboração de Resumos e Resenhas
Silvana Drumond Monteiro. Editora UEL.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Exercícios Adjetivo


1. Leia a seguir o trecho da música “Para Todos” de Chico Buarque e complete com os adjetivos pátrios pedidos entre parênteses:
“O meu pai era ____________________ (de São Paulo - Estado).
 Meu avô, ______________ (de Pernambuco).
 O meu bisavô, ______________________ (de Minas Gerais).
Meu tataravô, ___________________________(da     Bahia).”

2. Complete as lacunas abaixo:
Quem nasce em Três Rios é ___________________.  Já quem nasce no Brasil é _________________.

3. Marque a única opção em que o adjetivo “Velho” tem função de substantivo:
( ) O seu tio era velho. 
( ) O velho não gostava de jogar damas. 
( ) Era um armário velho e empoeirado.

4. Leia o texto e faça responda as questões:

A Bailarina
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina
Não conhece nem dó nem ré,
mas sabe ficar na ponta do pé
Não conhece nem mi nem fá,
mas inclina o corpo para cá e para lá
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
(Cecília Meireles)


a) Qual o adjetivo que caracteriza o substantivo  “menina”?



b) Em “Põe no cabelo uma estrela e um véu/ e diz que caiu do céu” a menina afirma que a estrela e o véu são do céu. Que locução adverbial podemos utilizar para substituir o termo “do céu”?

5. Substitua as locuções adjetivas sublinhadas nas frases pelo adjetivo correspondente:

a) Tiradentes é um importante homem da história.

b) A bondade de Deus é infinita.

c) O governo lançará um projeto para ajudar as crianças sem amparo.

d) O amor de mãe não tem limites.

e) A escola funcionará no período da noite.


6.  Identifique, mas frases abaixo, se a palavra sublinhada é um substantivo ou um adjetivo.

a) Foi um belo espetáculo!

b) A estética estuda o belo.

c) João é um aluno estudioso.

d) Os estudiosos não tiveram do que reclamar.

e) Eike Batista é um homem rico.

f) Os ricos moram ali.


7. No texto a seguir, os adjetivos estão indicados entre parênteses. Observe os substantivos a que eles se referem e flexione-os adequadamente em gênero e número.

                O velho pescador era magro e seco, e tinha a parte posterior do pescoço vincada de (profundo) rugas. As manchas (escuro) que os raios de sol produzem sempre, nos mares (tropical), enchiam-lhe o rosto, entendendo-se ao longo dos braços, e suas mãos estavam (coberto) de cicatrizes (fundo), (causado) pela fricção das linhas (áspero) enganchadas em (pesado) e (enorme) peixes. Mas nenhuma destas cicatrizes era recente.
                Tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos, que eram da cor do mar, (alegre) e (indomável).
Ernest Hemingway, em O Velho e o Mar.


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Conto

Um Apólogo
Machado de Assis

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora?  A senhora não é alfinete, é agulha.  Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa!  Porque coso.  Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você?  Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser.  Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?  Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?  Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: 
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. 
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.

domingo, 28 de agosto de 2011

INTERTEXTUALIDADE /INTERDISCURSIVIDADE


TEXTO 1: Amor e Sexo
(Rita Lee)

Amor é um livro / Sexo é esporte
Sexo é escolha / Amor é sorte
Amor é pensamento / Teorema
Amor é novela / Sexo é cinema
Sexo é imaginação / Fantasia
Amor é prosa / Sexo é poesia...
O amor nos torna / Patéticos
Sexo é uma selva /De epiléticos...
Amor é cristão / Sexo é pagão
Amor é latifúndio/  Sexo é invasão
Amor é divino / Sexo é animal
Amor é bossa nova/  Sexo é carnaval
Oh! Oh! Uh!
Amor é para sempre / Sexo também
Sexo é do bom / Amor é do bem...
Amor sem sexo/ É amizade
Sexo sem amor / É vontade...
Amor é um / Sexo é dois
Sexo antes / Amor depois...
Sexo vem dos outros / E vai embora
Amor vem de nós / E demora...
Amor é cristão / Sexo é pagão
Amor é latifúndio/ Sexo é invasão
Amor é divino / Sexo é animal
Amor é bossa nova / Sexo é carnaval
Oh! Oh! Oh!
Amor é isso / Sexo é aquilo
E coisa e tal! / E tal e coisa!
Uh! Uh! Uh!
Ai o amor! / Hum! O sexo!

TEXTO 2: Amor e Sexo
[Arnaldo Jabor]

“Amor é propriedade.  Sexo é posse. Amor é a lei; sexo é invasão.
O amor é uma construção do desejo. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre com tesão. Amor e sexo, são como a palavra farmakon em
grego: remédio ou veneno - depende da quantidade ingerida.
O sexo vem antes. O amor vem depois. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento. No sexo, o pensamento atrapalha.
O amor sonha com uma grande redenção. O sexo sonha com proibições; não há fantasias permitidas. O amor é o desejo de atingir a plenitude.  Sexo é a vontade de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade - nunca é totalmente satisfatório. O sexo pode ser, dependendo da posição adotada. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrário não acontece. Existe amor com sexo, claro, mas nunca gozam juntos.
O amor é mais narcisista, mesmo entrega, na 'doação'.  Sexo é mais democrático, mesmo vivendo do egoísmo.  Amor é um texto. Sexo é um esporte.  Amor não exige a presença do 'outro'. O sexo, mesmo solitário, precisa de uma 'mãozinha'. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até na maior solidão e na saudade. Sexo, não - é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora. O amor vem de nós. O sexo vem dos outros. 'O sexo é uma selva de epilépticos' (N. Rodrigues). O amor inventou a alma, a moral. O sexo inventou a moral também, mas do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge.
O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões. O sexo é mais quieto, como um caubói - quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: 'Faça amor, não faça a guerra'. Sexo quer
guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas. O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas
não se explica.
O sexo sempre existiu - das cavernas do paraíso até as 'saunas relax for men'. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provençais do século XII e, depois, relançado pelo cinema americano da moral cristã.
Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem - o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção; sexo selvagem é uma ameaça ao bom
funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controlá-lo é programá-lo, como faz a indústria da sacanagem. O mercado programa nossas fantasias.
Não há 'saunas relax' para o amor, onde o sujeito entre e se apaixone. No entanto, em todo bordel, finge-se um 'amorzinho' para iniciar. O amor virou um estímulo para o sexo.
O problema do amor é que dura muito, já o sexo dura pouco. Amor busca uma certa 'grandeza'. O sexo é mais embaixo. O perigo do sexo é que você pode se apaixonar. O perigo do amor é virar amizade. Com camisinha, há
'sexo seguro', mas não há camisinha para o amor.
O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é a lei. Sexo é a transgressão. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados.
Amor precisa do medo, do desassossego. Sexo precisa da novidade, da surpresa. O grande amor só se sente na perda. O grande sexo sente-se na tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda - ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60,  era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta.

terça-feira, 29 de março de 2011

A história da literatura brasileira é uma história de péssimos amantes. Tem-se a constante de que o amor jamais dá certo, nunca chega a bom termo, e de que os amantes são todos uns grandes incompetentes. Há mais história de desencontros e tragédias do que história de felicidade. A história do amor – e não só na literatura brasileira, mas na literatura universal, e, de modo geral, em todas as culturas – não é apenas a história do amor, mas a história do medo de amar.



SANT’ANA, Affonso Romano de. Poesia brasileira: uma trajetória do desejo. In: Op. cit., nota n. 9 (p. 86)