"Enquanto sussurrarmos palavras de amor, fofocarmos, rezarmos ou conversarmos em português, a língua não estará ameaçada." José Luiz Fiorin
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Tempos Verbais
1.O presente do indicativo expressa um fato atual ou habitual do sujeito.
Leio jornal todos os dias.
Ela sempre fala a verdade.
2.O pretérito perfeito expressa um fato já concluído em época passada.
Perdi todos os meus documentos na semana passada.
Eles assistiram ao espetáculo.
3.O pretérito imperfeito expressa um fato passado porém ainda não concluído.
Vovó apreciava um bom vinho.
Fazíamos boas amizades na Europa.
4. O pretérito-mais-que-perfeito expressa um fato anterior a outro fato que também é passado.
Quando cheguei à estação; o trem já partira.
A palestra ficara monótona, por isso fomos embora.
5.O futuro do presente expressa um fato que deve realizar-se num tempo próximo em relação ao momento presente.
Chegaremos amanhã.
Ela comprará um apartamento.
6. O futuro do pretérito expressa um fato futuro, mas de forma hipotética em relação a um momento passado. É também conhecido como tempo condicional.
Compraria um terno novo, se tivesse dinheiro.
Ele disse que encontraríamos dificuldade...
Emprego dos tempos do modo subjuntivo
1.O presente do subjuntivo expressa um fato atual, exprimindo suposição, dúvida, possibilidade.
Espero que cumpras o teu dever.
Deus te abençoe.
2.O pretérito imperfeito expressa uma ação passada dependente de outra ação passada.
O guarda pediu que eu parasse.
Se ele estudasse mais, passaria no vestibular.
3. O futuro do subjuntivo expressa um fato que vai acontecer relacionado a outro fato futuro.
Farei como julgar melhor.
Quando voltarmos da viagem, decidirei isso.
Formas do modo imperativo
O imperativo expressa ordem, conselho, pedido e possui duas formas: afirmativa e negativa.
O imperativo não possui a 1ª pessoa do singular, pois não se prevê ordem, conselho ou pedido a si mesmo.
1.O imperativo afirmativo é formado do presente do subjuntivo, com exceção da 2ª pessoa do singular e da 2ª pessoa do plural, que são retiradas do presente do indicativo sem o s.
Diga a verdade.
Saiam daqui.
2. O imperativo negativo é formado do presente do subjuntivo.
Se bebeu, não dirija.
Não fumem aqui, senhores!
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O Pretérito perfeito do Indicativo é usado para:
•Mostrar uma ação terminada, já realizada.
oNós arrumamos tudo e saímos mais cedo de casa
oAna pediu meu livro emprestado na semana passada
oEu construí uma casa nova.
•Perguntar e responder sobre aquilo que já foi feito
oVocê comprou este sapatato na loja de Maria?
oSim, comprei outras coisas também
oVocê viu onde eu pus a caneta?
oEu vi a caneta em cima da mesa.
oCarlos veio com você?
oNão, ele ficou na escola.
O Pretérito imperfeito do Indicativo é usado para:
•Indicar uma ação interrompida, não terminada.
oEu andava pela rua quando você me parou.
oPedro brincava no quintal , quando começou a chover.
•Indicar uma ação contínua , feita no passado , mas que não se faz mais
o João viajava todo final de semana = João costumava viajar todo final de semana
Esta frase indica que no passado João viajava todo final de semana , mas atualmente ele não viaja mais
o Antigamente , Paulo jogava futebol = Antigamente , Paulo costumava jogar futebol .
o Ana comprava muita coisa inútil = Ana costumava comprar muita coisa inútil.
•Descrever pessoas , coisas , situações, etc..
o O jantar estava ótimo
o A cozinheira estava cansada
o Os convidados usavam roupas adequadas.
•Para indicar ação simultânea
o Eu escrevia as cartas enquanto Rodrigo colava os selos.
o Renata fazia o almoço enquanto Beth arrumava a casa.
Diferenças entre o Pretérito perfeito e imperfeito
•O Imperfeito é um espaço de tempo no passado
•O Perfeito é usado para expressar tempo delimitado no passado
•O Imperfeito é um hábito no passado
•O Perfeito é um ponto no passado
•No Imperfeito você não percebe claramente o fim da ação
•No Perfeito você percebe claramente o fim da ação
•No Imperfeito há um envolvimento maior com o passado
•No Perfeito a informação é mais objetiva
Observe a diferença entre a frase 1 e 2 .
1-Eu queria ir à sua casa mas não pude, porque o carro quebrou.
2-Ontem eu quis ir à sua casa, mas não podia, porque não tinha com quem deixar as crianças
Na frase 1 a carga maior de envolvimento está no fato de querer , usado no imperfeito. A informação "não pude" é mais objetiva (pretérito perfeito).
Na frase 2 a preocupação maior é mostrar a impossibilidade de ir (não podia), enquanto "querer " informa um fato mais objetivo, uma determinação maior.
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PASSADO CONTÍNUO = Verbo estar no pretérito imperfeito + verbo no Gerúndio ( ando, endo , indo)
Eu estava trabalhando muito.
Nós estávamos preparando o jantar
Beth estava dormindo, quando eu saí
Rodrigo estava escrevendo um relatório.
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Formação do Pretérito mais-que-perfeito
O pretérito mais-que-perfeito está diviido em dois; composto e simples. A forma simples do pretérito mais-que-perfeito é para o uso formal ,usada somente para escrita, em livros, jornais, revistas, etc.. Enquanto que a forma composta é a que todos nós usamos no dia-a-dia , em uma linguagem menos formal.
A forma composta é formada do seguinte modo:
•pelo verbo ter (no pretérito-mais-que-perfeito) + verbo no partiçipio
•ou pelo verbo haver (no pretérito-mais-que-perfeito) + verbo no participio
Não o encontrei porque ele tinha/havia saido mais cedo => COMPOSTO ( Tinha + Particípio )
Não o encontrei porque ele saíra mais cedo => SIMPLES
Quando cheguei lá , o bar tinha/havia fechado => COMPOSTO ( Tinha + Particípio )
Quando cheguei lá , o bar fechara => SIMPLES
Gêneros literários
Ardo em desejo na tarde que arde! Nada ficou no lugar
Oh, como é belo dentro de mim Eu quero quebrar essas xícaras
Teu corpo de ouro no fim da tarde: Eu vou enganar o diabo
Teu corpo que arde dentro de mim Eu quero acordar sua família
Que ardo contigo no fim da tarde Eu vou escrever no seu muro
E violentar o seu gosto
Os textos épicos são geralmente longos e narram histórias de um povo ou uma nação, envolvendo aventuras, guerras, viagens, gestos históricos, etc. Normalmente apresentam um tom de exaltação, isto é, de valorização, de seus heróis e seus feitos. Os poemas épicos intitulam-se epopéias e as mais famosas da literatura ocidental são: Ilíada e Odisséia, de Homero; Eneida, de Virgílio; Os Lusíadas, de Luis de Camões; Paraíso Perdido, de Milton; e Orlando Furioso, de Ludovico Ariosto.
No Brasil, foram feitos vários poemas épicos, principalmente seguindo o modelo de Camões. Os mais importantes são: Caramuru, de Santa Rita Durão, e O Uraguai, de Basílio da Gama.
Gênero Dramático
JOANA Cê gosta da filha do Creonte, Jasão?
JASÃO Não quero falar nisso agora...
JOANA Gosta não.
Ta só perturbado, né? Responde pra mim...
JASÃO Tava falando, deixa eu continuar, sim?
JOANA Responde duma vez, homem, toma coragem.
Você gosta mesmo da moça?...
JASÃO (gritando) Mulher, pára, deixa eu falar... (tempo)
Você sabe... eu não tenho cara pra chutar vocês pra córner... é sacanagem
que eu não vou fazer. Mas também veja o meu lado
Cedo ou tarde a gente ia ter que se separar
Quando eu te conheci, tava pra completar
vinte anos, não foi? Eu nem tinha completado
Você tinha trinta e quatro mas era bem
conservada, a carroceria, bom molejo
e a bateria carregada de desejo
Então não queria saber de idade, e nem
quero saber, porque para mim quem gosta gosta
e o amor não vê documento nem certidão
Só que dez anos se passaram desde então
[...]
Tipos de narração:
1ª pessoa: narrador interno e onipresente, que participa dos acontecimentos.
3ª pessoa: narrador externo e onisciente está fora dos acontecimentos, mas tem ciência de tudo que acontece.
É importante ressaltar que nas narrações em 1ª pessoa, nem tudo que o narrador afirma corresponde à “verdade”, pois é sempre uma visão parcial, individual, de quem participa.
Leia o poema abaixo para responder os exercícios 1 e 2:
Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca,
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
Eu faço versos como quem morre.
1. A que gênero pertence Desencanto, de Manuel Bandeira? Porque se pode dizer que o poema é representante desse gênero?
2. Você diria que a poesia de Manuel Bandeira é objetiva ou subjetiva? Justifique.
3. “Na serra de Ibiapaba, numa de suas encostas mais altas, encontrei um jegue. Estava voltado para o lado e me pareceu que descortinava o panorama. Mas quando me aproximei, percebi que era cego.” (Oswaldo França Júnior, em As Laranjas Iguais).
O fragmento é representante do gênero:
a) lírico
b) épico
c) narrativo
d) dramático
e) nenhuma das opções acima.
Leia o texto abaixo para responder às questões 4 e 5.
A um passarinho
Para que vieste
Na minha janela
Meter o nariz?
Se foi por um verso
Não sou mais poeta
Ando tão feliz!
(Vinícius de Moraes)
4. Segundo o texto, qual é a condição fundamental para a condição poética?
5. A que gênero literário pertence o texto?
6. Retire do texto abaixo três marcas do Gênero Dramático:
JOANA Cê gosta da filha do Creonte, Jasão?
JASÃO Não quero falar nisso agora...
JOANA Gosta não.
Ta só perturbado, né? Responde pra mim...
JASÃO Tava falando, deixa eu continuar, sim?
JOANA Responde duma vez, homem, toma coragem.
Você gosta mesmo da moça?...
JASÃO (gritando) Mulher, pára, deixa eu falar... (tempo)
Você sabe... eu não tenho cara pra chutar vocês pra córner... é sacanagem
que eu não vou fazer. Mas também veja o meu lado
Cedo ou tarde a gente ia ter que se separar
Quando eu te conheci, tava pra completar
vinte anos, não foi? Eu nem tinha completado
Você tinha trinta e quatro mas era bem
conservada, a carroceria, bom molejo
e a bateria carregada de desejo
Então não queria saber de idade, e nem
quero saber, porque para mim quem gosta gosta
e o amor não vê documento nem certidão
Só que dez anos se passaram desde então [...]
7. Dê o significado de epopéia:
Trovadorismo e humanismo
O TROVADORISMO EM PORTUGAL
O Trovadorismo é um movimento de caráter exclusivamente poético e marca o surgimento da Literatura portuguesa. Historicamente é marcado pelo predomínio da Igreja e da nobreza feudal; resultando numa visão cristã teocêntrica e subjetiva, com características como emoção, espiritualismo, pessimismo, pecado e escuridão.
As composições líricas desse período são chamadas de cantigas e se dividem em dois tipos:
• Cantigas líricas (de amor e amigo);
• Cantigas satíricas (de escárnio e maldizer).
CANTIGAS DE AMOR
A submissão do vassalo ao seu senhor é transferida para o mundo das relações amorosas, por isso o mandamento número um do trovador é fidelidade e submissão absoluta à sua musa.
Essas cantigas apresentam eu lírico masculino; o trovador lamenta a coyta d’amor, ou seja, o sofrimento pela impossibilidade de realização amorosa, já que a dama pertence a uma classe social superior à dele.
O trovador reitera a promessa de servir, honrar e respeitar a dama, poupando-a até da revelação de sua identidade.
O poeta idealiza a amada como um ser quase divino, mas ela ignora seu amor ou tem conhecimento dele e o despreza. Esse amor impossível e inevitável faz com que o eu lírico sofra por tornar-se prisioneiro desse sentimento.
Quanto aos aspectos formais, podemos dizer que as cantigas de amor apresentam uma linguagem mais erudita e sofisticada do que as de amigo. Sua estrutura é menos repetitiva, podendo ou não apresentar refrão.
“ Eu gran coita, senhor
que peior que a morte
vivo, per boa fé,
e pólo voss’amor
esta coita sofr’eu
por vos, senhor, que eu
Vi pólo meu gran mal,
e melhor mi será
de morrer por vós já
e, pois meu Deus nou val,
esta coita sofr”eu
por vós, senhor, que eu
Pólo meu gran mal vi
e mais mi val morrer
ca tal coita sofrer,
pois por meu mal assi
esta coita sofr’eu
por vós, senhor, que eu
Vi por gran mal de mi,
Pois tan coitad’and’eu.”
(D.DINIS)
CANTIGAS DE AMIGO
As cantigas de amigo apresentam eu lírico feminino, o trovador assume o ponto de vista da mulher. O “amigo” referido é, na verdade, namorado ou amante. Várias dessas cantigas se prestavam a festas, comemorações e rituais ligados à chegada da primavera.
A vida cotidiana, a saudade do amigo que partiu para às guerras, o ciúme, a indignação, a vaidade de ser bela, festas, bailes; enfim, o colorido do mundo medieval português podem ser sentido nessas cantigas.
Na maior parte das vezes, a mulher não se dirige diretamente ao homem amado; adota como confidente uma amiga, a irmã, a mãe ou um elemento da natureza.
Quanto aos aspectos formais, as cantigas de amigo apresentam linguagem mais simples que as cantigas de amor (devido a sua origem popular). Muitas apresentam refrão e estrutura paralelística.
“Mandad’ei comigo,
ca ven meu amigo:
e irei, madr’, a Vigo.
comi’gei mandado,
ca ven meu amado:
e irei, madr’, a Vigo.
ca ven meu amigo
e ven san’e vivo:
e irei, madr’, a Vigo.
ca ven meu amado
e ven viv’e sano:
e irei madr’, a Vigo.
ca ven san’e vivo
e d’el rei, amigo:
e irei, madr’, a Vigo.
ca ven viv’e e sano
e d’el rei privado:
e irei, madr’, a Vigo.”
( MARTIN CODAX)
CANTIGAS SÁTIRICAS
Esse gênero da cantiga revela o mundo boêmio e marginal dos jograis, fidalgos, bailarinas; enfim, dos artistas da corte, aos quais se misturavam religiosos e até mesmo reis.
A distribuição entre as cantigas de escárnio e maldizer é muito sutil:
• Escárnio: crítica indireta, de forma velada e sutil, a identidade do alvo permanecia um pouco na sombra (mascarada).
• Maldizer: ataque nominal e direto, crítica rude, mencionando o nome da pessoa a ser criticada; usando linguagem desbocada, chula e obscenidades.
“Rui queimado morreu con amor
eu seus cantares, par Santa Maria,
por na dona que gran ben queria,
e por se meter por mais trabador,
porque lh’ela non quis [o] ben fazer
fez-s’el en seus cantares morrer,
mas ressurgiu depois ao tercer dia!
Esto fez el por ua sa señor
que quer gran ben, e mais nos em diria:
porque cuida que faz i mestria,
e nos cantares que fez sabor
de morrer i e desi d’ar viver;
esto faz el que se’o pode fazer,
mas outr’ omem per ren non [n] o faria.
E non há já de sa morte pavor,
senon as morte mais la temeria,
mas sabe ben, per sa sabedoria,
que viverá, dês quando morto for,
e faz [s’] en seu cantar morte prender,
desi ar viver: vede que poder
que ehi Deus deu, mais que non cuidaria.
E, se mi deus a min poder,
qual oi’el há, pois morrer, de viver,
jamais morte nunca temeria.”
(PÊRO GARCIA BURGALÊS)
IDADE MÉDIA – 2º MOMENTO
HUMANISMO
(O RITO DE PASSAGEM PARA O CLASSICISMO)
No segundo momento da Idade Média surgiu o Humanismo, quando o homem buscava outras maneiras de interação com o mundo, levado agora por uma racionalidade, que esbarrava ainda no teocêntrismo milenar imposto pela Igreja.
Novas formas de pensar e agir vão construindo um novo código de ética e, no século seguinte aflora o Classicismo Renacentista, caracterizado sobretudo pelo resgate da herança greco-latina, pelo antropocêntrismo, e pelo florescimento de uma nova cultura.
O Humanismo é o período intermediário entre o mundo clássico e inaugura um período que a história chama de Renascimento.
Quatro foram os tipos de produção que marcaram o século XV e o início do século XVI:
- A historiografia de Fernão Lopes ( escreveu a história de Portugal com base em documentos, desprezando testemunhos frágeis ou duvidosos, mantendo a chama artística acesa, sem deixar que seu ponto de vista prevalecesse sobre os fatos verídicos).
- A prosa didática (ou doutrinária), a poesia palaciana (poemas compostos em “medida velha” – redondilhas de cinco e sete sílabas poéticas- para o prazer da leitura e declamação, sem acompanhamento musical), e ainda o teatro de Gil Vicente.
Gil Vicente e o Teatro Português
Gil Vicente inaugurou o teatro português, encenando peças na corte para os nobres. Viveu no contexto histórico marcado pelas grandes descobertas e ao mesmo tempo pelo ambiente palaciano, medieval, religioso e conservador. Humanista, reflete o estado oscilante de um mundo velho e de sua decomposição.
O ser humano é seu objeto de preocupação. O homem de seu tempo, de qualquer categoria social, é motivo de reflexão porque vive num contexto em que os costumes se degradam. A crítica ao homem tem como função abrir sua consciência e reaproxima-lo de Deus.
Nas peças religiosas o autor coloca sempre um relevo a oposição de dois mundos: material e sobrenatural, profano e divino, trevas e luzes.
Obras principais: Farsa de Inês Pereira, Auto da Barca do Inferno e Auto da Alma.
01. No inicio do século XIII, a intransigência religiosa arrasou a Provença e dispersou seus trovadores, mas a lírica provençalesca já havia fecundado a poesia ocidental com a beleza melódica e a delicadeza emocional de sua poesia-música, impondo uma nova concepção do amor e da mulher.
a)Verdadeiro
b)Falso
02. A canção associava o amor-elevação, puro, nobre, inatingível, ao amor dos sentidos, carnal, erótico; a alegria da razão (o amor intelectual) à alegria dos sentidos.
a)Verdadeiro
b)Falso
03. Assinale a afirmação falsa:
a)O judeu Maimônides e o islamista Averróis são expressões do que as culturas dominadas produziram de mais significativo na Península Ibérica
b)A cultura portuguesa, no século XII, conciliava três matrizes contraditórias: a católica, a islâmica e a hebraica
c)Pode-se dizer que a cultura portuguesa esteve desde seu início assentada na diversidade e na contradição, do que resultaram alguns de seus traços positivos (miscibilidade, aclimatabilidade etc.) e negativos (tendência ao ceticismo quanto a idéias, desconfiança etc.
d)A cultura católica, técnica e literariamente superior às culturas islâmica e hebraica, impôs-se naturalmente desde os primórdios da formação de Portugal
e)A expulsão dos mouros e judeus e a Inquisição foram os aspectos mais dramáticos da destruição sistemática que a cultura triunfante impôs às culturas opostas
04. O primeiro trovador provençal foi Guilherme IX, da Aquitânia (1071-1127). Bernart de Ventadorn e aufre Rudel representam a poesia mais simples, facilmente inteligível; Marcabru, Raimbaut d´Aurenga e especialmente Arnault Daniel representam a poesia mais elaborada, com imagens e associações inesperadas, capazes de encantar os mais rigorosos exegetas, de Dante Alighieri a Ezra Pound.
a)Verdadeiro
b)Falso
05. A Provença, região sul da França, chamada Langue d´Oc ou Languedo, foi o berço das primeiras manifestações de uma lírica sentimental, cortês, refinada, que fazia da mulher o santuário de sua inspiração poética e musical
a)Verdadeiro
b)Falso
06. A língua portuguesa não é falada:
a)em Macau e em dialetos crioulos de Goa, Damão, Sri Lanka (ex-Ceilao), Java e Málaca
b)no arquipélago de Cabo Verde, nas ilhas de São Tomé e Porto Príncipe, na Guiné-Bissau em Angola e em Moçambique
c)no Timor Leste, parte oriental da ilha de Timor, próxima da Oceania, mas que os mapas geopolíticos atuais incorporam ao Sudeste Asiático
d)no arquipélago dos Açores e na Ilha da Madeira
e)em Gibraltar e nas Ilhas Canárias
07. Enquanto no sul da Europa, nas proximidades do Mediterrâneo, alastrava-se o lirismo trovadoresco, voltado para a exaltação do amor, para a vassalagem amorosa, no norte predominava o espírito guerreiro, épico, que celebrava nas canções de gesta o heroísmo da cavalaria medieval.
a)Verdadeiro
b)Falso
08. A poesia lírica dos provençais teve seguidores na França, na Itália, na Alemanha, na Catalunha, em Portugal e em outras regiões , onde também os temas folclóricos foram beneficiados com a forma mais culta e elaborada que os trovadores disseminaram.
a)Verdadeiro
b)Falso
09. Assinale a afirmação falsa sobre as cantigas de escárnio e mal dizer:
a)Os alvos prediletos das cantigas satíricas eram os comportamentos sexuais (homossexualidade, adultério, padres e freiras libidinosos), as mulheres (soldadeiras, prostitutas, alcoviteiras e dissimuladas), os próprios poetas (trovadores e jograis eram freqüentemente ridicularizados), a avareza, a corrupção e a própria arte de trovar
b)As cantigas satíricas perfazem cerca de uma quarta parte da poesia contida nos cancioneiros galego- portugueses. Isso revela que a liberdade da linguagem e a ausência de preconceito ou censura (institucional, estética ou pessoal) eram componentes da vida literária no período trovadoresco, antes de a repressão inquisitorial atirá-las à clandestinidade
c)A principal diferença entre as duas modalidades satíricas está na identificação ou não da pessoa atingida
d)Algumas composições satíricas do Cancioneiro Geral e algumas cenas dos autos gilvicentinos revelam a obrevivência, já bastante atenuada, da linguagem livre e da violência verbal dos antigos trovadores
e)O elemento das cantigas de escárnio não é temático, nem está na condição de se omitir a identidade do ofendido. A distinção está no retórico do “equívoco”, da ambigüidade e da ironia, ausentes na cantiga de maldizer.
10. Foi o que ocorreu em Portugal e Galiza: a poesia primitiva, oral, autóctone, associada à musica e à coreografia e protagonizada por uma mulher, as chamadas cantigas de amigo, passaram a se beneficiar do contato com uma arte mais rigorosa e mais consciente de seus meios de realização artística
a)Verdadeiro
b)Falso
11. Assinale a alternativa correta sobre o texto abaixo:
Levad´, amigo, que dormides as manhãas frias;
Todalas aves do mundo d`amor dizian:
Leda m`and`eu!
Levad`, amigo, que dormide`-las frias manhãas;
Todalas aves do mundo d`amor cantavan:
Leda m` and`eu!
Todalas aves do mundo d`amor dizian:
Do meu amor e do voss` em ment`avian:
Leda m`and`eu!
a) Trata-se de uma cantiga de amor paralelística com refrão e eu lírico feminino.
b) Trata-se de uma cantiga de escárnio, em que uma mulher critica seu namorado por ele haver cortado os ramos em que as aves pousavam para cantar o amor de ambos.
c) É uma típica cantiga de amigo. O eu lírico é feminino, a natureza aparece entrelaçada à questão amorosa e as estrofes apresentam estrutura paralelística e refrão.
d) Não há sinais de influências folclóricas na cantiga em questão; nota-se que, nela, a experiência amorosa é adequada aos modos palacianos aristocráticos.
e) Trata-se de uma cantiga de maldizer, embora o nome da pessoa criticada não seja abertamente mencionado.
12. Assinale a alternativa que identifique corretamente o tipo de composição poética exemplificada no trecho.
Ai, dona fea, foste-vos queixar
Que vos nunca louv`em[o] meu trobar;
Mais ora quero fazer um cantar
Em que vos loarei toda via;
E vedes como vos quero loar:
Dona fea, velha e sandia!
(D. Joam Garcia de Guilhade)
a) cantiga de amor
b) cantiga de amigo
c) cantiga de amigo, sem refrão
d) cantiga de escárnio
e) cantiga de maldizer
Ay Deus, e quen mi tolherá
Gran coyta do meu coraçon
No mundo, poys mha senhor non
Quer que eu perca coyta já!
E direy-vos como non quer:
Leixa-me sem seu bem viver
Coytad`, e, se mi non valer
Ela, que[n] mi pode valer?
Bernal de Bonaval
a) cantiga de amor
b) cantiga de amigo
c) cantiga de amigo, sem refrão
d) cantiga de escárnio
e) cantiga de maldizer
14. Suas obras constituem o mais rico acervo de poesia dramática do fim da Idade Média européia. Sua habilidade satírica e sua crítica moral recriam o cotidiano da sociedade portuguesa de seu tempo, com alta qualidade artística, deixando entrever a penetração das idéias do Humanismo. Trata-se de:
a) Sá de Miranda
b) Garcia de Resende
c) Luís de Camões
d) Gil Vicente
e) Antônio Ferreira
15. Por que se pode afirmar que Gil Vicente tem um pé em sua época e outro no passado?
16. Qual a importância e a novidade do movimento cultural conhecido como Humanismo?
17. Leia os textos abaixo e responda o que se pede:
Senhor, cuytad`é o meu coraçon
Por vós e moyro, se Deus mi perdon,
Porque sabede que, dês que enton
Vos vi, dês y
Nunca coyta perdi.
Tanto me coyta e trax mal Amor
Que me mata, seed`em sabedor,
E tod`aquesto é, dês que, senhor,
Vos vi, dês y
Nunca coyta perdi.
(D. Dinis)
Que coisa tamanha ei a sofrer
Por amar amigu` e non o veer!
E pousarei sol o avelãal.
Que coita tamanha ei endurar,
Por amar amigu`e non lhi falar!
E pousarei sol o avelãal.
(Nuno Fernandes Torneol)
Assinale a alternativa correta.
a) Ambos os textos são cantigas de amigo paralelísticas, com refrão.
b) Os dois fragmentos poéticos falam da coita, ou sofrimento amoroso, motivo pelo qual devem ser classificados como cantigas de amor.
c) O texto 5 é fragmento de uma cantiga de amigo, pois é uma composição popular, como demonstra a presença do refrão; o texto 6 faz parte de uma cantiga de amor, pois, apesar da presença do refrão e do eu lírico feminino, fala da coita, que é o tema central desse tipo de composição.
d) O texto 5 é fragmento de uma cantiga de amor, em que o eu lírico idealiza a mulher amada, segundo convenções do amor cortês; embora se trate de poesia aristocrática, a presença, a presença de refrão indica a contaminação de formas populares. O texto 6 pertence a uma cantiga de amigo, construída na sua forma mais típica (presença da natureza, paralelismo e refrão); o eu lírico feminino fala de seu sofrimento, por não poder ver seu namorado nem falar com ele.
e) O texto 5 é fragmento de uma cantiga de amor atípica, pois o eu lírico louva a mulher amada desrespeitando as convenções do amor cortês, em favor de uma concepção menos platônica e mais erótica. O texto ¨pertence a uma cantiga de amigo, construída da forma mais típica (paralelismo e refrão), embora a natureza esteja ausente; o eu lírico feminino fala de seu sofrimento, por não poder ver nem falar com seu namorado.
18. “Ai, flores, ai flores do verde ramo
se sabedes novas do meu amado?
Ai, Deus, e u é?”
Vocabulário:
sabedes: sabeis
u: onde
Escreva as palavras que completam os espaços;
“Os versos acima pertencem a uma cantiga de (a) _________ características de ____________português, estética literária dos séculos XII, XIII e XIV.”
19. Amor, desamor e ciúme; freqüentemente inspiração na vida popular, bem como a exploração de eu feminino indicam cantigas de _______________.
20. “Um amor assim delicado
Você pega e despreza (...)
Nem sente que me envenenou
Senhora, e agora
Me diga onde eu vou
Senhora
Serpente
Princesa”