segunda-feira, 1 de março de 2010

Negrinha, Monteiro Lobato

Negrinha era uma pobre órfã de sete anos. Preta? Não; fusca, mulatinha escura, de cabelos ruços e olhos assustados.
Nascera na senzala, de mãe escrava, e seus primeiros anos vivera-os pelos cantos escuros da cozinha, sobre velha esteira e trapos imundos. Sempre escondida, que a patroa não gostava de crianças.
Excelente senhora, a patroa. Gorda, rica, dona do mundo, amimada dos padres, com lugar certo na igreja e camarote de luxo reservado no céu. Entaladas as banhas no trono (uma cadeira de balanço na sala de jantar), ali bordava, recebia as amigas e o vigário, dando audiências, discutindo o tempo. Uma virtuosa senhora em suma — “dama de grandes virtudes apostólicas, esteio da religião e da moral”, dizia o reverendo.
Ótima, a dona Inácia.



Mas não admitia choro de criança. Ai! Punha-lhe os nervos em carne viva. Viúva sem filhos, não a calejara o choro da carne de sua carne, e por isso não suportava o choro da carne alheia. Assim, mal vagia, longe, na cozinha, a triste criança, gritava logo nervosa:
— Quem é a peste que está chorando aí?
Quem havia de ser? A pia de lavar pratos? O pilão? O forno? A mãe da criminosa abafava a boquinha da filha e afastava-se com ela para os fundos do quintal, torcendo-lhe em caminho beliscões de desespero.
— Cale a boca, diabo!
No entanto, aquele choro nunca vinha sem razão. Fome quase sempre, ou frio, desses que entanguem pés e mãos e fazem-nos doer...
Assim cresceu Negrinha — magra, atrofiada, com os olhos eternamente assustados. Órfã aos quatro anos, por ali ficou feito gato sem dono, levada a pontapés. Não compreendia a idéia dos grandes. Batiam-lhe sempre, por ação ou omissão. A mesma coisa, o mesmo ato, a mesma palavra provocava ora risadas, ora castigos. Aprendeu a andar, mas quase não andava. Com pretextos de que às soltas reinaria no quintal, estragando as plantas, a boa senhora punha-a na sala, ao pé de si, num desvão da porta.
— Sentadinha aí, e bico, hein?
Negrinha imobilizava-se no canto, horas e horas.
— Braços cruzados, já, diabo!
Cruzava os bracinhos a tremer, sempre com o susto nos olhos. E o tempo corria. E o relógio batia uma, duas, três, quatro, cinco horas — um cuco tão engraçadinho! Era seu divertimento vê-lo abrir a janela e cantar as horas com a bocarra vermelha, arrufando as asas. Sorria-se então por dentro, feliz um instante.
Puseram-na depois a fazer crochê, e as horas se lhe iam a espichar trancinhas sem fim.
Que idéia faria de si essa criança que nunca ouvira uma palavra de carinho? Pestinha, diabo, coruja, barata descascada, bruxa, pata-choca, pinto gorado, mosca-morta, sujeira, bisca, trapo, cachorrinha, coisa-ruim, lixo — não tinha conta o número de apelidos com que a mimoseavam. Tempo houve em que foi a bubônica. A epidemia andava na berra, como a grande novidade, e Negrinha viu-se logo apelidada assim — por sinal que achou linda a palavra. Perceberam-no e suprimiram-na da lista. Estava escrito que não teria um gostinho só na vida — nem esse de personalizar a peste...
O corpo de Negrinha era tatuado de sinais, cicatrizes, vergões. Batiam nele os da casa todos os dias, houvesse ou não houvesse motivo. Sua pobre carne exercia para os cascudos, cocres e beliscões a mesma atração que o ímã exerce para o aço. Mãos em cujos nós de dedos comichasse um cocre, era mão que se descarregaria dos fluidos em sua cabeça. De passagem. Coisa de rir e ver a careta...
A excelente dona Inácia era mestra na arte de judiar de crianças. Vinha da escravidão, fora senhora de escravos — e daquelas ferozes, amigas de ouvir cantar o bolo e estalar o bacalhau. Nunca se afizera ao regime novo — essa indecência de negro igual a branco e qualquer coisinha: a polícia! “Qualquer coisinha”: uma mucama assada ao forno porque se engraçou dela o senhor; uma novena de relho porque disse: “Como é ruim, a sinhá!”...
O 13 de Maio tirou-lhe das mãos o azorrague, mas não lhe tirou da alma a gana. Conservava Negrinha em casa como remédio para os frenesis. Inocente derivativo:
— Ai! Como alivia a gente uma boa roda de cocres bem fincados!...
Tinha de contentar-se com isso, judiaria miúda, os níqueis da crueldade. Cocres: mão fechada com raiva e nós de dedos que cantam no coco do paciente. Puxões de orelha: o torcido, de despegar a concha (bom! bom! bom! gostoso de dar) e o a duas mãos, o sacudido. A gama inteira dos beliscões: do miudinho, com a ponta da unha, à torcida do umbigo, equivalente ao puxão de orelha. A esfregadela: roda de tapas, cascudos, pontapés e safanões a uma — divertidíssimo! A vara de marmelo, flexível, cortante: para “doer fino” nada melhor!
Era pouco, mas antes isso do que nada. Lá de quando em quando vinha um castigo maior para desobstruir o fígado e matar as saudades do bom tempo. Foi assim com aquela história do ovo quente.
Não sabem! Ora! Uma criada nova furtara do prato de Negrinha — coisa de rir — um pedacinho de carne que ela vinha guardando para o fim. A criança não sofreou a revolta — atirou-lhe um dos nomes com que a mimoseavam todos os dias.
— “Peste?” Espere aí! Você vai ver quem é peste — e foi contar o caso à patroa.
Dona Inácia estava azeda, necessitadíssima de derivativos. Sua cara iluminou-se.
— Eu curo ela! — disse, e desentalando do trono as banhas foi para a cozinha, qual perua choca, a rufar as saias.
— Traga um ovo.
Veio o ovo. Dona Inácia mesmo pô-lo na água a ferver; e de mãos à cinta, gozando-se na prelibação da tortura, ficou de pé uns minutos, à espera. Seus olhos contentes envolviam a mísera criança que, encolhidinha a um canto, aguardava trêmula alguma coisa de nunca visto. Quando o ovo chegou a ponto, a boa senhora chamou:
— Venha cá!
Negrinha aproximou-se.
— Abra a boca!
Negrinha abriu aboca, como o cuco, e fechou os olhos. A patroa, então, com uma colher, tirou da água “pulando” o ovo e zás! na boca da pequena. E antes que o urro de dor saísse, suas mãos amordaçaram-na até que o ovo arrefecesse. Negrinha urrou surdamente, pelo nariz. Esperneou. Mas só. Nem os vizinhos chegaram a perceber aquilo. Depois:
— Diga nomes feios aos mais velhos outra vez, ouviu, peste?
E a virtuosa dama voltou contente da vida para o trono, a fim de receber o vigário que chegava.
— Ah, monsenhor! Não se pode ser boa nesta vida... Estou criando aquela pobre órfã, filha da Cesária — mas que trabalheira me dá!
— A caridade é a mais bela das virtudes cristas, minha senhora —murmurou o padre.
— Sim, mas cansa...
— Quem dá aos pobres empresta a Deus.
A boa senhora suspirou resignadamente.
— Inda é o que vale...
Certo dezembro vieram passar as férias com Santa Inácia duas sobrinhas suas, pequenotas, lindas meninas louras, ricas, nascidas e criadas em ninho de plumas.
Do seu canto na sala do trono, Negrinha viu-as irromperem pela casa como dois anjos do céu — alegres, pulando e rindo com a vivacidade de cachorrinhos novos. Negrinha olhou imediatamente para a senhora, certa de vê-la armada para desferir contra os anjos invasores o raio dum castigo tremendo.
Mas abriu a boca: a sinhá ria-se também... Quê? Pois não era crime brincar? Estaria tudo mudado — e findo o seu inferno — e aberto o céu? No enlevo da doce ilusão, Negrinha levantou-se e veio para a festa infantil, fascinada pela alegria dos anjos.
Mas a dura lição da desigualdade humana lhe chicoteou a alma. Beliscão no umbigo, e nos ouvidos, o som cruel de todos os dias: “Já para o seu lugar, pestinha! Não se enxerga”?
Com lágrimas dolorosas, menos de dor física que de angústia moral —sofrimento novo que se vinha acrescer aos já conhecidos — a triste criança encorujou-se no cantinho de sempre.
— Quem é, titia? — perguntou uma das meninas, curiosa.
— Quem há de ser? — disse a tia, num suspiro de vítima. — Uma caridade minha. Não me corrijo, vivo criando essas pobres de Deus... Uma órfã. Mas brinquem, filhinhas, a casa é grande, brinquem por aí afora.
— Brinquem! Brincar! Como seria bom brincar! — refletiu com suas lágrimas, no canto, a dolorosa martirzinha, que até ali só brincara em imaginação com o cuco.
Chegaram as malas e logo:
— Meus brinquedos! — reclamaram as duas meninas.
Uma criada abriu-as e tirou os brinquedos.
Que maravilha! Um cavalo de pau!... Negrinha arregalava os olhos. Nunca imaginara coisa assim tão galante. Um cavalinho! E mais... Que é aquilo? Uma criancinha de cabelos amarelos... que falava “mamã”... que dormia...
Era de êxtase o olhar de Negrinha. Nunca vira uma boneca e nem sequer sabia o nome desse brinquedo. Mas compreendeu que era uma criança artificial.
— É feita?... — perguntou, extasiada.
E dominada pelo enlevo, num momento em que a senhora saiu da sala a providenciar sobre a arrumação das meninas, Negrinha esqueceu o beliscão,o ovo quente, tudo, e aproximou-se da criatura de louça. Olhou-a com assombrado encanto, sem jeito, sem ânimo de pegá-la.
As meninas admiraram-se daquilo.
— Nunca viu boneca?
— Boneca? — repetiu Negrinha. — Chama-se Boneca?
Riram-se as fidalgas de tanta ingenuidade.
— Como é boba! — disseram. — E você como se chama?
— Negrinha.
As meninas novamente torceram-se de riso; mas vendo que o êxtase da bobinha perdurava, disseram, apresentando-lhe a boneca:
— Pegue!
Negrinha olhou para os lados, ressabiada, como coração aos pinotes. Que ventura, santo Deus! Seria possível? Depois pegou a boneca. E muito sem jeito, como quem pega o Senhor menino, sorria para ela e para as meninas, com assustados relanços de olhos para a porta. Fora de si, literalmente... era como se penetrara no céu e os anjos a rodeassem, e um filhinho de anjo lhe tivesse vindo adormecer ao colo. Tamanho foi o seu enlevo que não viu chegar a patroa, já de volta. Dona Inácia entreparou, feroz, e esteve uns instantes assim, apreciando a cena.
Mas era tal a alegria das hóspedes ante a surpresa extática de Negrinha, e tão grande a força irradiante da felicidade desta, que o seu duro coração afinal bambeou. E pela primeira vez na vida foi mulher. Apiedou-se.
Ao percebê-la na sala Negrinha havia tremido, passando-lhe num relance pela cabeça a imagem do ovo quente e hipóteses de castigos ainda piores. E incoercíveis lágrimas de pavor assomaram-lhe aos olhos.



Falhou tudo isso, porém. O que sobreveio foi a coisa mais inesperada do mundo — estas palavras, as primeiras que ela ouviu, doces, na vida:
— Vão todas brincar no jardim, e vá você também, mas veja lá, hein?
Negrinha ergueu os olhos para a patroa, olhos ainda de susto e terror. Mas não viu mais a fera antiga. Compreendeu vagamente e sorriu.
Se alguma vez a gratidão sorriu na vida, foi naquela surrada carinha...
Varia a pele, a condição, mas a alma da criança é a mesma — na princesinha e na mendiga. E para ambos é a boneca o supremo enlevo. Dá a natureza dois momentos divinos à vida da mulher: o momento da boneca — preparatório —, e o momento dos filhos — definitivo. Depois disso, está extinta a mulher.
Negrinha, coisa humana, percebeu nesse dia da boneca que tinha uma alma. Divina eclosão! Surpresa maravilhosa do mundo que trazia em si e que desabrochava, afinal, como fulgurante flor de luz. Sentiu-se elevada à altura de ente humano. Cessara de ser coisa — e doravante ser-lhe-ia impossível viver a vida de coisa. Se não era coisa! Se sentia! Se vibrava!
Assim foi — e essa consciência a matou.
Terminadas as férias, partiram as meninas levando consigo a boneca, e a casa voltou ao ramerrão habitual. Só não voltou a si Negrinha. Sentia-se outra, inteiramente transformada.
Dona Inácia, pensativa, já a não atazanava tanto, e na cozinha uma criada nova, boa de coração, amenizava-lhe a vida.
Negrinha, não obstante, caíra numa tristeza infinita. Mal comia e perdera a expressão de susto que tinha nos olhos. Trazia-os agora nostálgicos, cismarentos.
Aquele dezembro de férias, luminosa rajada de céu trevas adentro do seu doloroso inferno, envenenara-a.
Brincara ao sol, no jardim. Brincara!... Acalentara, dias seguidos, a linda boneca loura, tão boa, tão quieta, a dizer mamã, a cerrar os olhos para dormir. Vivera realizando sonhos da imaginação. Desabrochara-se de alma.
Morreu na esteirinha rota, abandonada de todos, como um gato sem dono. Jamais, entretanto, ninguém morreu com maior beleza. O delírio rodeou-a de bonecas, todas louras, de olhos azuis. E de anjos... E bonecas e anjos remoinhavam-lhe em torno, numa farândola do céu. Sentia-se agarrada por aquelas mãozinhas de louça — abraçada, rodopiada.
Veio a tontura; uma névoa envolveu tudo. E tudo regirou em seguida, confusamente, num disco. Ressoaram vozes apagadas, longe, e pela última vez o cuco lhe apareceu de boca aberta.
Mas, imóvel, sem rufar as asas.
Foi-se apagando. O vermelho da goela desmaiou...
E tudo se esvaiu em trevas.
Depois, vala comum. A terra papou com indiferença aquela carnezinha de terceira — uma miséria, trinta quilos mal pesados...
E de Negrinha ficaram no mundo apenas duas impressões. Uma cômica, na memória das meninas ricas.
— “Lembras-te daquela bobinha da titia, que nunca vira boneca?”
Outra de saudade, no nó dos dedos de dona Inácia.
— “Como era boa para um cocre!...”

Sobre Monteiro Lobato:

Monteiro Lobato, natural de Taubaté (SP), nasceu em 18/04/1882. É uma das figuras excepcionais das letras brasileiras. Jornalista, contista, criador de deliciosas histórias para crianças, suscitador de problemas, ensaísta e homem de ação, encheu com seu nome um largo período da vida nacional. Com a publicação do livro de contos "Urupês", em julho de 1918, quando já contava com 36 anos de idade, chama para o seu talento de escritor a atenção de todo o país. Cita-o Ruy Barbosa, em discurso, encontrando no seu Jeca Tatu um símbolo da realidade rural brasileira. Lança-se à indústria editorial, publica livros e mais livros — "Onda Verde", "Idéias de Jeca Tatu", "Cidades Mortas", "Negrinha", "Fábulas", "O Choque", etc. Fracassa como editor, ao lançar a firma Monteiro Lobato & Cia., mas volta com a Companhia Editora Nacional, ao lado de Octales Marcondes, e triunfa. Tenta a exploração de petróleo, e acaba na cadeia, perseguido pela ditadura de Getúlio Vargas. Não só escreve, como traduz sem pausa, dezenas e dezenas de livros, especialmente de Kipling. Uma vida cheia. E uma grande obra, que lhe preservará o nome glorioso. Foi um grande homem, um grande brasileiro e um dos maiores escritores — em todo o mundo — de histórias para crianças. Basta dizer que, no período de 1925 a 1950 foram vendidos aproximadamente um milhão e quinhentos mil exemplares de seus livros.
Era, de fato, um ser plural: escritor precursor do realismo fantástico, escritor de cartas, escritor de obras infantis, ensaísta, crítico de arte e literatura, pintor, jornalista, empresário, fazendeiro, advogado, sociólogo, tradutor, diplomata, etc. Faleceu na cidade de São Paulo (SP), no dia 04 de julho de 1948.


O texto acima foi publicado originalmente em livro do mesmo nome, tendo sido selecionado por Ítalo Moriconi e consta de "Os cem melhores contos brasileiros do século", editora Objetiva — Rio de Janeiro, 2000, pág. 78.

Sugestão de Leitura

Não sei se alguns sabem, mas eu tenho um blog onde faço reflexões pessoais. Esses dias postei lá uma resenha do seguinte livro:




Interessados, favor clicar no link: http://anagabigabriela.blogspot.com/2010/02/eu-prisioneira-das-farc.html

Proposta de narração

Faça uma redação objetiva, com narrador em 3ª pessoa, contando um incidente ocorrido no pronto-socorro de um imenso hospital.
Utilize discurso direto.
Crie um título adequado.

OBS.: Seu texto deve ter de 15 a 20 linhas e ser entregue a tinta azul ou preta.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

E agora José?

As questões a seguir referem-se ao texto abaixo:


E AGORA, JOSÉ?

A festa acabou,


a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José ?

e agora, você ?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama protesta,

e agora, José ?



Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José ?



E agora, José ?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio - e agora ?



Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora ?



Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse…

Mas você não morre,

você é duro, José !



Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José !

José, pra onde ?


1. José teria, segundo o poeta, possibilidades de alterar seu destino. Essas possibilidades estão sugeridas:
a) na 5ª e 6ª estrofes
b) na 1ª, 2ª e 3ª estrofes
c) na 3ª, 4ª e 6ª estrofes
d) na 4ª e 5ª estrofes
e) n.d.a.

2. Só não é linguagem figurada:
a) sua incoerência, seu ódio
b) seu instante de febre
c) seu terno de vidro
d) sua lavra do ouro
e) n.d.a.

3. Das possibilidades sugeridas pelo poeta para que José mudasse seu destino, a mais extremada está contida no verso:
a) "se você tocasse a valsa vienense"
b) " se você morresse"
c) José, para onde?"
d) "quer ir pra Minas"
e) n.d.a.

4. Para o poeta, José só não é:
a) alguém realizado e atuante
b) um solitário
c)um joão-ninguém frustrado
d)alguém sem objetivo e desesperançado
e) n.d.a.

5. "A noite esfriou" é um verso repetido. Com isso o poeta deseja:
a) deixar bem claro que José foi abandonado por que fazia frio
b) traduzir a idéia de que José sentiu frio porque anoiteceu
c) exprimir que, após o término da festa, a temperatura caíra
d)intensificar o sentimento de abandono, tornando-o um sofrimento quase físico
e) n.d.a.

6. O verso que exprime concisamente que José é "ninguém" é:
a) "você que faz versos"
b) "a festa acabou"
c) "você que é sem nome"
d) "que zomba dos outros"
e) n.d.a.

7. O verso que expressa essencialmente a idéia de um José sem norte é:
a) "José, para onde?"
b) "sozinho no escuro"
c) "mas você não morre"
d) "e tudo fugiu"
e) n.d.a.

8. Assinale a alternartiva falsa a respeito do texto:
a) José é alguém bem individualizado e a ele o poeta se dirige com afetividade
b) O ritmo dos versos da quinta estrofe é dançante
c) "sem alegoria" signific "sem deuses", "sem credo", "sem religião"
d) os versos são em redondilha menor porque tal ritmo se ajusta perfeitamente à intimidade, singeleza e espontaneidade das idéias.
e)n.d.a.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Oficina Chico Buarque






Música pr’aprender brasileira

Introdução

A música popular tem um espaço especial da vida de todos os brasileiros, seja qual for sua idade, classe social ou região de moradia. Assume formas diversas, bebendo em fontes tradicionais (como o samba, o choro, o baião, o forró, o xote, a marcha), incorporando novas tendências (música estrangeira, eletrônica, sampler) ou criando fórmulas mercadológicas para fazer sucesso e vender muitos discos.

Personagem de nossa cultura e de nossa história, a música brasileira não tem por que ficar fora da sala de aula. Além de ser um item indispensável na formação integral do cidadão brasileiro, ela pode funcionar como um fantástico instrumento de comunicação para a apreensão de conteúdos tradicionais.

As atividades sugeridas foram pensadas para alunos do ensino fundamental, a partir da 7ª série, e do ensino médio. Mas as ideias podem e devem ser adaptadas de acordo com a idade dos alunos, seu estágio de desenvolvimento e compreensão.

A linguagem musical atinge a percepção humana de uma forma diferente. Não é à toa que os alunos, e até alguns professores, recorrem a musiquinhas para facilitar a tarefa de "decorar" conteúdos. A apreensão de uma mensagem acompanhada de melodia se dá de outra forma, mais profunda do que a compreensão intelectual. A música, linguagem não-verbal, atinge o terreno das emoções, da intuição, das nossas capacidades não-racionais.

Professores de educação artística estão cansados de saber disso e utilizar a música para trabalhar diversos aspectos da expressão, desenvolvimento motor, concentração, disciplina e outras habilidades importantes para os alunos. Nossa intenção, aqui, não é enveredar pela complexa discussão da linguagem musical e suas aplicações. O objetivo é bem mais simples: valer-se da música como ponte para trabalhar conteúdos diversos.

Vamos nos centrar em temas transversais ao ensino de Língua Portuguesa, Literatura e História. Veremos que a música abre infinitas janelas para a construção do conhecimento.

Lorenzo Aldé, jornalista

Desconstruindo Construção

Apresentação

Para começar, é indispensável, trabalhando esta ou qualquer outra música em sala de aula, ouvi-la junto com os alunos. Seduzidos pela beleza da canção, envolvidos por sua atmosfera, os alunos já começam prestando atenção e gostando da atividade. Durante a aula, estarão sempre com a música na cabeça e trabalharão a letra pensando nela.

As letras de música são criadas especialmente para aquele fim. Podem ser lindas como um poema, mas dependem da melodia e do ritmo para viver integralmente.

Depois de ouvir a música, vamos conhecer a letra de Construção, de Chico Buarque, e pensar nas possibilidades educativas que ela traz.


Construção

(Chico Buarque, 1971)

Amou daquela vez como se fosse a última

Beijou sua mulher como se fosse a última

E cada filho seu como se fosse o único

E atravessou a rua com seu passo tímido

Subiu a construção como se fosse máquina

Ergueu no patamar quatro paredes sólidas

Tijolo com tijolo num desenho mágico

Seus olhos embotados de cimento e lágrima

Sentou pra descansar como se fosse sábado

Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe

Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago

Dançou e gargalhou como se ouvisse música

E tropeçou no céu como se fosse um bêbado

E flutuou no ar como se fosse um pássaro

E se acabou no chão feito um pacote flácido

Agonizou no meio do passeio público

Morreu na contramão atrapalhando o tráfegoBr />

Amou daquela vez como se fosse o último

Beijou sua mulher como se fosse a única

E cada filho como se fosse o pródigo

E atravessou a rua com seu passo bêbado

Subiu a construção como se fosse sólido

Ergueu no patamar quatro paredes mágicas

Tijolo com tijolo num desenho lógico

Seus olhos embotados de cimento e tráfego

Sentou pra descansar como se fosse um príncipe

Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo

Bebeu e soluçou como se fosse máquina

Dançou e gargalhou como se fosse o próximo

E tropeçou no céu como se ouvisse música

E flutuou no ar como se fosse sábado

E se acabou no chão feito um pacote tímido

Agonizou no meio do passeio náufrago

Morreu na contramão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina

Beijou sua mulher como se fosse lógico

Ergueu no patamar quatro paredes flácidas

Sentou pra descansar como se fosse um pássaro

E flutuou no ar como se fosse um príncipe

E se acabou no chão feito um pacote bêbado

Morreu na contramão atrapalhando o sábado


Primeira Leitura

A primeira coisa que precisamos saber é se a turma entendeu a letra. É certo que algumas palavras podem ser desconhecidas da maioria (embotado, pródigo, flácido), mas são poucas, e nada que comprometa a compreensão do todo. Pois bem: o que eles compreenderam?

Depois de ouvirem a música com a letra em mãos, pode ser uma boa hora para abrir uma pequena discussão:

- Que história a música conta?

- Que sentimentos ela desperta?

- O que lembra o formato do poema?

- Por que as coisas aconteceram daquela maneira?

Provavelmente esta última pergunta será a mais polêmica, e pode levar a uma discussão entre alunos com interpretações divergentes, ou mesmo causar uma grande interrogação geral na turma. Se eles dizem que "ninguém entendeu nada" (o que obviamente não é verdade), pode ser que acabem perguntando a você, professor: "Explica pra gente por que ele caiu do prédio!", "Ele se matou?", "Ele caiu porque estava bêbado?", etc. Todo o cuidado é pouco para não cair nessa armadilha. Se respondermos a todas as perguntas com a nossa opinião, reduzimos o texto a apenas uma interpretação "correta", e acabou-se a discussão.

Quem tem que interpretar o texto são os alunos, quem tem que contrapor outras opiniões são outros alunos. O papel do educador é apenas orientar a discussão, evitar excessos, fazer perguntas provocadoras, instigar a curiosidade e incentivar a imaginação da turma.

Outra possibilidade é pedir que produzam textos, individuais ou em duplas, interpretando a letra. Isto permite avaliar a capacidade de compreensão dos alunos, e a capacidade de expressar sua opinião e seus sentimentos. Isto é importante: não pedir que comentem apenas a história objetiva da letra, mas também que deem ênfase aos sentimentos que a música (letra + melodia + ritmo) despertou. "Como se sentiu ouvindo esta música?" é uma boa pergunta, aberta e sugestiva. As respostas podem ajudar a revelar as intenções ao autor e as mensagens que a música traz, para além da letra.

Seja como for, a primeira interpretação da letra não deve ser uma atividade muito extensa, para não traumatizar os alunos. Sabemos que nem sempre é fácil, para eles, interpretar um texto tão denso, tão poético, com tantos elementos.

Portanto, feita a primeira leitura e o debate (ou produção de textos), vamos em frente.

Desconstrução

Não é difícil perceber que Chico criou esta letra na forma de um poema concreto. Este tipo de linguagem poética se caracteriza pela atenção à forma, e não apenas ao conteúdo. O concretismo vale-se muito da chamada metalinguagem, ou seja, de referências ao próprio corpo do poema. Como se o poema fosse uma matéria concreta, seus elementos visuais e gráficos são tão ou mais importantes do que o significado das palavras. Deve-se considerar a sonoridade, a posição e a relação entre as palavras.

Se sua turma estiver estudando Poesia Concreta, esta letra representa um belo material para estudo. Mas não é preciso discutir o Concretismo para trabalhar a questão formal de Construção. O próprio exercício de interpretar o texto acaba nos levando, inevitavelmente, a descobrir suas características formais.

O título é a primeira pista. Ele não se refere apenas ao personagem central, que trabalha como operário numa obra. Na verdade, todo o texto é também uma construção, feita de tijolos e cimento, "num desenho lógico". Os tijolos são as palavras, que formam paredes de texto. As três estrofes são blocos que compõem um edifício literário.

É claro que isto também é uma interpretação (entre as infinitas possíveis), e é claro que ela não precisa ser "ensinada" aos alunos. Tudo deve ser descoberto por eles, numa investigação individual ou em grupo. A proposta é: desconstruir a Construção, trabalhando os pedaços do texto (versos, frases, palavras, estrofes) como se fossem objetos.

As estrofes

As estrofes são os grandes blocos do texto e da construção. Como blocos, podem ser manejadas de forma independente: lendo apenas uma estrofe, dá para entender toda a história. As estrofes também podem ser mudadas de lugar, e a mensagem permanece a mesma.

Por que, então, o autor optou por usar três blocos de texto, e não apenas um? Qual é a função das três estrofes?

Chama a atenção a repetição, nas três estrofes, do início dos versos:

Amou daquela vez...

Beijou sua mulher...

E cada filho seu...

E atravessou a rua...

Subiu a construção...

Etc...

Nas duas primeiras estrofes repete-se o início de todos os versos, na última estrofe repete-se apenas o início de alguns versos.

Por que Chico não usou o mesmo número de versos na terceira estrofe?

Talvez o andamento e a intensidade da música ajudem a responder a esta questão. Não podemos esquecer que a música também dá sentido à mensagem da obra. A forma como ela vai se tornando cada vez mais intensa, cada vez mais rápida e vertiginosa, é perfeitamente coerente com a história que conta: o crescendo da emoção que culmina com a queda livre.

A última estrofe seria equivalente ao final da história. Tão rápida e intensa quanto uma queda, ela não comporta sequer todos os versos. Dá para imaginar o personagem caindo do alto da primeira linha do poema e chegando ao chão na última palavra da última estrofe. A poesia concreta permite um diálogo assim visual com o texto (é a metalinguagem).

A última estrofe também pode ser interpretada como a base do edifício. Daí o seu formato diferente.

As palavras

O poema de Chico é uma verdadeira aula de Português. O que têm em comum as palavras que encerram todos os versos: bêbado, tímido, sólido, mágico, sábado, náufrago?

Sim, são todas proparoxítonas. O interessante é que o autor não precisa usar rimas para combinar os versos, pois o efeito sonoro das proparoxítonas, colocadas sempre na mesma posição dentro da melodia, funciona como se fosse uma rima.

Observando a segunda estrofe em relação à primeira, nota-se que a ordem dos versos permanece rigorosamente igual. O que muda são as palavras finais. As proparoxítonas, que funcionam gramaticalmente como adjetivos, se deslocam de um verso para outro, como tijolos que foram mudados de lugar. O resultado é que os versos mudam de sentido quando os adjetivos finais são outros. Por exemplo:

Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago (1ª estrofe)

Bebeu e soluçou como se fosse máquina (2ª estrofe)

O sentido da frase mudou completamente. Assim, apesar de conterem os mesmos elementos, a primeira e a segunda estrofe trazem mensagens diferentes. Porém, voltando à interpretação da letra como um todo, chega-se à conclusão de que não adianta mudar os tijolos de lugar. As impressões do personagem, sua relação com a realidade, continuam duras e opressivas, e o resultado final é igualmente trágico.

A disposição das palavras-tijolo também guarda alguns segredos para o observador mais atento. Nem todas as proparoxítonas finais da primeira estrofe se repetem na segunda, e vice-versa:

Que palavras estão na primeira estrofe e não estão na segunda?

Que palavras estão na segunda estrofe e não estão na primeira?

Qual é a única palavra que se repete no final de dois versos da mesma estrofe?

Que palavras aparecem na primeira estrofe, somem na segunda e reaparecem na terceira?

Que palavra aparece apenas na segunda e na terceira estrofes?

Que interpretação é possível dar para essas palavras "desgarradas" do poema?

Infinitas possibilidades se abrem para o trabalho com os alunos, de modo a fazê-los realizar a análise do texto de forma divertida e criativa.

Pode-se propor, por exemplo, que eles retirem, de todos os versos do poema, as últimas palavras. E reescrevam o texto usando outras proparoxítonas, que assumam a função de adjetivos nas frases.

Os versos

Os versos são todos construídos sobre um mesmo padrão rítmico, do início ao fim do poema. A melodia sofre pequenas variações, mas também é feita em cima de repetições. Como os tijolos de um edifício precisam estar sempre em mesmo número e sempre alinhados para que as paredes fiquem retas e firmes, também os elementos desta Construção são feitos de repetição e simetria.

A principal prova dessa simetria é a métrica do poema. Um bom desafio para os alunos é propor que contem o número de sílabas poéticas em cada verso. Será mais divertido se pedirmos para que cada aluno escolha um verso e conte em voz baixa.

Quando todos acabarem de contar, pedimos para que a turma fale em voz alta o resultado obtido: todos (ou quase, descontadas as falhas matemáticas ou de leitura) dirão: 14!

E

ca

da

fi

lho

seu

co

mo

se

fo

sse o

ú

ni

co

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

Para os que não chegaram a este resultado, devemos explicar que a versificação dos poemas obedece ao ritmo imposto pela métrica, sendo a divisão silábica, portanto, um pouco diferente. Versos aparentemente maiores do que outros contêm as mesmas 14 unidades silábicas quando são falados ou cantados. É o caso de:

co

meu

fei

jão

com a

rroz

co

mo

se

fos

se um

prín

ci

pe

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

Se ainda assim eles ficarem muito cismados, duvidando de você e do Chico Buarque, o jeito é tirar a prova: recitem (ou cantem) a letra em voz alta, contando nos dedos cada sílaba, do início ao fim dos versos.

Deus lhe pague

Se hoje podemos olhar com bastante neutralidade para uma letra de Chico Buarque, preocupados apenas com os significados internos da canção e com a forma do poema, nem sempre foi assim. Chico já era um nome nacionalmente respeitado da MPB nos anos 70, quando foi composta Construção. Suas músicas daquele período dialogavam diretamente com a situação política vivida pelo país: no ano de 1971, a ditadura militar estava no auge de seu período repressor. O presidente era o General Emílio Garrastazu Médici, e durante sua gestão (1969-1974) o país viveu os momentos mais violentos de restrição das liberdades individuais, perseguição e tortura de opositores e dissolução de instituições democráticas.

O caráter histórico de composições como Construção deve ser considerado para uma análise integral das obras. Da mesma forma, a disciplina de História do Brasil, ao estudar esse ou qualquer outro período, pode e deve valer-se das manifestações culturais da época.

Algumas das melhores composições de Chico Buarque nas décadas de 60 e 70 trazem mensagens claras (ainda que indiretas, para escapar da censura) de crítica à ditadura. É o caso de Meu caro amigo (1976), Apesar de você (1970), Acorda amor (que assinou com o pseudônimo Julinho de Adelaide, 1974), Roda viva (1967) e Deus lhe pague (1971), entre muitas outras.

Não é à toa que a gravação original de Construção traz, ao final da música, um trecho de Deus lhe pague. Vamos ler a letra desta canção e tentar compreender o que ela tem a ver com Construção:


Deus lhe pague

(Chico Buarque, 1971)

Por esse pão pra comer, por esse chão pra dormir

A certidão pra nascer, e a concessão pra sorrir

Por me deixar respirar, por me deixar existir

Deus lhe pague

Pelo prazer de chorar e pelo "estamos aí"

Pela piada no bar e o futebol pra aplaudir

Um crime pra comentar e um samba pra distrair

Deus lhe pague

Por essa praia, essa saia, pelas mulheres daqui

O amor malfeito depressa, fazer a barba e partir

Pelo domingo que é lindo, novela, missa e gibi

Deus lhe pague

Pela cachaça de graça que a gente tem que engolir

Pela fumaça, desgraça, que a gente tem que tossir

Pelos andaimes, pingentes, que a gente tem que cair

Deus lhe pague

Por mais um dia, agonia, pra suportar e assistir

Pelo rangido dos dentes, pela cidade a zunir

E pelo grito demente que nos ajuda a fugir

Deus lhe pague

Pela mulher carpideira pra nos louvar e cuspir

E pelas moscas-bicheiras a nos beijar e cobrir

E pela paz derradeira que enfim vai nos redimir

Deus lhe pague


E então? O que os alunos acharam desta letra? Somente a análise do conteúdo de Deus lhe pague já renderia várias aulas, não é? É o retrato da vida de um homem comum brasileiro daquela época.

O narrador está falando com alguém. Para quem ele está dizendo "deus lhe pague"?

Que trechos parecem se referir à repressão da ditadura?

Qual é a relação explícita entre as duas letras?

Quais são as relações implícitas?

O que parece claro é a intenção de mostrar que a tragédia individual do personagem de Construção não está separada da situação social e política do país.

Deus lhe pague poderia ser considerada um pano de fundo coletivo que explica, em parte, a tragédia individual de Construção? Ou não?

Na Internet é fácil encontrar uma série de sites sobre a ditadura militar, a sociedade brasileira daquela época, a MPB e suas diversas correntes (bossa nova, tropicalismo, música de protesto. Convide os alunos para fazer um trabalho multidisciplinar sobre esses temas!

De quebra, eles estarão conhecendo e aprendendo a gostar de um dos períodos mais férteis de nossa música.

Fonte: http://www.educacaopublica.rj.gov.br/oficinas/lportuguesa/index.html