quinta-feira, 12 de abril de 2012

Exercícios Adjetivo


1. Leia a seguir o trecho da música “Para Todos” de Chico Buarque e complete com os adjetivos pátrios pedidos entre parênteses:
“O meu pai era ____________________ (de São Paulo - Estado).
 Meu avô, ______________ (de Pernambuco).
 O meu bisavô, ______________________ (de Minas Gerais).
Meu tataravô, ___________________________(da     Bahia).”

2. Complete as lacunas abaixo:
Quem nasce em Três Rios é ___________________.  Já quem nasce no Brasil é _________________.

3. Marque a única opção em que o adjetivo “Velho” tem função de substantivo:
( ) O seu tio era velho. 
( ) O velho não gostava de jogar damas. 
( ) Era um armário velho e empoeirado.

4. Leia o texto e faça responda as questões:

A Bailarina
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina
Não conhece nem dó nem ré,
mas sabe ficar na ponta do pé
Não conhece nem mi nem fá,
mas inclina o corpo para cá e para lá
Não conhece nem lá nem si,
mas fecha os olhos e sorri
Roda, roda, roda com os bracinhos no ar
e não fica tonta nem sai do lugar.
Põe no cabelo uma estrela e um véu
e diz que caiu do céu.
Esta menina tão pequenina quer ser bailarina
Mas depois esquece todas as danças,
e também quer dormir como as outras crianças.
(Cecília Meireles)


a) Qual o adjetivo que caracteriza o substantivo  “menina”?



b) Em “Põe no cabelo uma estrela e um véu/ e diz que caiu do céu” a menina afirma que a estrela e o véu são do céu. Que locução adverbial podemos utilizar para substituir o termo “do céu”?

5. Substitua as locuções adjetivas sublinhadas nas frases pelo adjetivo correspondente:

a) Tiradentes é um importante homem da história.

b) A bondade de Deus é infinita.

c) O governo lançará um projeto para ajudar as crianças sem amparo.

d) O amor de mãe não tem limites.

e) A escola funcionará no período da noite.


6.  Identifique, mas frases abaixo, se a palavra sublinhada é um substantivo ou um adjetivo.

a) Foi um belo espetáculo!

b) A estética estuda o belo.

c) João é um aluno estudioso.

d) Os estudiosos não tiveram do que reclamar.

e) Eike Batista é um homem rico.

f) Os ricos moram ali.


7. No texto a seguir, os adjetivos estão indicados entre parênteses. Observe os substantivos a que eles se referem e flexione-os adequadamente em gênero e número.

                O velho pescador era magro e seco, e tinha a parte posterior do pescoço vincada de (profundo) rugas. As manchas (escuro) que os raios de sol produzem sempre, nos mares (tropical), enchiam-lhe o rosto, entendendo-se ao longo dos braços, e suas mãos estavam (coberto) de cicatrizes (fundo), (causado) pela fricção das linhas (áspero) enganchadas em (pesado) e (enorme) peixes. Mas nenhuma destas cicatrizes era recente.
                Tudo o que nele existia era velho, com exceção dos olhos, que eram da cor do mar, (alegre) e (indomável).
Ernest Hemingway, em O Velho e o Mar.


domingo, 5 de fevereiro de 2012

Conto

Um Apólogo
Machado de Assis

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:
— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora?  A senhora não é alfinete, é agulha.  Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa!  Porque coso.  Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você?  Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser.  Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco?  Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas?  Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: 
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico. 
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

Texto extraído do livro "Para Gostar de Ler - Volume 9 - Contos", Editora Ática - São Paulo, 1984, pág. 59.

domingo, 28 de agosto de 2011

INTERTEXTUALIDADE /INTERDISCURSIVIDADE


TEXTO 1: Amor e Sexo
(Rita Lee)

Amor é um livro / Sexo é esporte
Sexo é escolha / Amor é sorte
Amor é pensamento / Teorema
Amor é novela / Sexo é cinema
Sexo é imaginação / Fantasia
Amor é prosa / Sexo é poesia...
O amor nos torna / Patéticos
Sexo é uma selva /De epiléticos...
Amor é cristão / Sexo é pagão
Amor é latifúndio/  Sexo é invasão
Amor é divino / Sexo é animal
Amor é bossa nova/  Sexo é carnaval
Oh! Oh! Uh!
Amor é para sempre / Sexo também
Sexo é do bom / Amor é do bem...
Amor sem sexo/ É amizade
Sexo sem amor / É vontade...
Amor é um / Sexo é dois
Sexo antes / Amor depois...
Sexo vem dos outros / E vai embora
Amor vem de nós / E demora...
Amor é cristão / Sexo é pagão
Amor é latifúndio/ Sexo é invasão
Amor é divino / Sexo é animal
Amor é bossa nova / Sexo é carnaval
Oh! Oh! Oh!
Amor é isso / Sexo é aquilo
E coisa e tal! / E tal e coisa!
Uh! Uh! Uh!
Ai o amor! / Hum! O sexo!

TEXTO 2: Amor e Sexo
[Arnaldo Jabor]

“Amor é propriedade.  Sexo é posse. Amor é a lei; sexo é invasão.
O amor é uma construção do desejo. Sexo não depende de nosso desejo; nosso desejo é que é tomado por ele. Ninguém se masturba por amor. Ninguém sofre com tesão. Amor e sexo, são como a palavra farmakon em
grego: remédio ou veneno - depende da quantidade ingerida.
O sexo vem antes. O amor vem depois. No amor, perdemos a cabeça, deliberadamente. No sexo, a cabeça nos perde. O amor precisa do pensamento. No sexo, o pensamento atrapalha.
O amor sonha com uma grande redenção. O sexo sonha com proibições; não há fantasias permitidas. O amor é o desejo de atingir a plenitude.  Sexo é a vontade de se satisfazer com a finitude. O amor vive da impossibilidade - nunca é totalmente satisfatório. O sexo pode ser, dependendo da posição adotada. O amor pode atrapalhar o sexo. Já o contrário não acontece. Existe amor com sexo, claro, mas nunca gozam juntos.
O amor é mais narcisista, mesmo entrega, na 'doação'.  Sexo é mais democrático, mesmo vivendo do egoísmo.  Amor é um texto. Sexo é um esporte.  Amor não exige a presença do 'outro'. O sexo, mesmo solitário, precisa de uma 'mãozinha'. Certos amores nem precisam de parceiro; florescem até na maior solidão e na saudade. Sexo, não - é mais realista. Nesse sentido, amor é uma busca de ilusão. Sexo é uma bruta vontade de verdade. O amor vem de dentro, o sexo vem de fora. O amor vem de nós. O sexo vem dos outros. 'O sexo é uma selva de epilépticos' (N. Rodrigues). O amor inventou a alma, a moral. O sexo inventou a moral também, mas do lado de fora de sua jaula, onde ele ruge.
O amor tem algo de ridículo, de patético, principalmente nas grandes paixões. O sexo é mais quieto, como um caubói - quando acaba a valentia, ele vem e come. Eles dizem: 'Faça amor, não faça a guerra'. Sexo quer
guerra. O ódio mata o amor, mas o ódio pode acender o sexo. Amor é egoísta; sexo é altruísta. O amor quer superar a morte. No sexo, a morte está ali, nas bocas. O amor fala muito. O sexo grita, geme, ruge, mas
não se explica.
O sexo sempre existiu - das cavernas do paraíso até as 'saunas relax for men'. Por outro lado, o amor foi inventado pelos poetas provençais do século XII e, depois, relançado pelo cinema americano da moral cristã.
Amor é literatura. Sexo é cinema. Amor é prosa; sexo é poesia. Amor é mulher; sexo é homem - o casamento perfeito é do travesti consigo mesmo. O amor domado protege a produção; sexo selvagem é uma ameaça ao bom
funcionamento do mercado. Por isso, a única maneira de controlá-lo é programá-lo, como faz a indústria da sacanagem. O mercado programa nossas fantasias.
Não há 'saunas relax' para o amor, onde o sujeito entre e se apaixone. No entanto, em todo bordel, finge-se um 'amorzinho' para iniciar. O amor virou um estímulo para o sexo.
O problema do amor é que dura muito, já o sexo dura pouco. Amor busca uma certa 'grandeza'. O sexo é mais embaixo. O perigo do sexo é que você pode se apaixonar. O perigo do amor é virar amizade. Com camisinha, há
'sexo seguro', mas não há camisinha para o amor.
O amor sonha com a pureza. Sexo precisa do pecado. Amor é a lei. Sexo é a transgressão. Amor é o sonho dos solteiros. Sexo, o sonho dos casados.
Amor precisa do medo, do desassossego. Sexo precisa da novidade, da surpresa. O grande amor só se sente na perda. O grande sexo sente-se na tomada de poder. Amor é de direita. Sexo, de esquerda - ou não, dependendo do momento político. Atualmente, sexo é de direita. Nos anos 60,  era o contrário. Sexo era revolucionário e o amor era careta.

terça-feira, 29 de março de 2011

A história da literatura brasileira é uma história de péssimos amantes. Tem-se a constante de que o amor jamais dá certo, nunca chega a bom termo, e de que os amantes são todos uns grandes incompetentes. Há mais história de desencontros e tragédias do que história de felicidade. A história do amor – e não só na literatura brasileira, mas na literatura universal, e, de modo geral, em todas as culturas – não é apenas a história do amor, mas a história do medo de amar.



SANT’ANA, Affonso Romano de. Poesia brasileira: uma trajetória do desejo. In: Op. cit., nota n. 9 (p. 86)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O medo que gera violência


Texto I: A Morte do Leiteiro (Drummond)


A Cyro Novaes
Há pouco leite no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há muita sede no país,
é preciso entregá-lo cedo.
Há no país uma legenda,
que ladrão se mata com tiro.
Então o moço que é leiteiro
de madrugada com sua lata
sai correndo e distribuindo
leite bom para gente ruim.
Sua lata, suas garrafas
e seus sapatos de borracha
vão dizendo aos homens no sono
que alguém acordou cedinho
e veio do último subúrbio
trazer o leite mais frio
e mais alvo da melhor vaca
para todos criarem força
na luta brava da cidade.
Na mão a garrafa branca
não tem tempo de dizer
as coisas que lhe atribuo
nem o moço leiteiro ignaro,
morador na Rua Namur,
empregado no entreposto,
com 21 anos de idade,
sabe lá o que seja impulso
de humana compreensão.
E já que tem pressa, o corpo
vai deixando à beira das casas
uma apenas mercadoria.
E como a porta dos fundos
também escondesse gente
que aspira ao pouco de leite
disponível em nosso tempo,
avancemos por esse beco,
peguemos o corredor,
depositemos o litro...
Sem fazer barulho, é claro,
que barulho nada resolve.
Meu leiteiro tão sutil
de passo maneiro e leve,
antes desliza que marcha.
É certo que algum rumor
sempre se faz: passo errado,
vaso de flor no caminho,
cão latindo por princípio,
ou um gato quizilento.
E há sempre um senhor que acorda,
resmunga e torna a dormir.
Mas este acordou em pânico
(ladrões infestam o bairro),
não quis saber de mais nada.
O revólver da gaveta
saltou para sua mão.
Ladrão? se pega com tiro.
Os tiros na madrugada
liquidaram meu leiteiro.
Se era noivo, se era virgem,
se era alegre, se era bom,
não sei,
é tarde para saber.
Mas o homem perdeu o sono
de todo, e foge pra rua.
Meu Deus, matei um inocente.
Bala que mata gatuno
também serve pra furtar
a vida de nosso irmão.
Quem quiser que chame médico,
polícia não bota a mão
neste filho de meu pai.
Está salva a propriedade.
A noite geral prossegue,
a manhã custa a chegar,
mas o leiteiro
estatelado, ao relento,
perdeu a pressa que tinha.
Da garrafa estilhaçada,
no ladrilho já sereno
escorre uma coisa espessa
que é leite, sangue... não sei.
Por entre objetos confusos,
mal redimidos da noite,
duas cores se procuram,
suavemente se tocam,
amorosamente se enlaçam,
formando um terceiro tom
a que chamamos aurora.



Texto II:  Arma de fogo e raiva transformam empresário em assassino

Adão Barbosa ainda não sabia, mas a decisão de comprar uma arma por R$ 500,00 em 2005 mudaria a vida dele e tiraria a de outra pessoa, três anos depois.
Sem porte de arma, o empresário da construção civil explica que comprou o revólver como forma de defesa, jamais imaginou que tivesse que usá-lo, mas matou ontem o pedreiro Francisco dos Santos da Silva, no bairro Canguru.
Barbosa conta que deixou-se levar pelo nervosismo durante um protesto na Rua Katinguá. Os moradores haviam fechado a via em manifestação contra a violência no trânsito. "Fiquei com medo, cercaram o carro, quebraram os vidros de uma caminhonete. Disse que iria atirar para o chão, nem vi onde acertei", recorda emocionado.
O comerciante explicou que até a tarde de ontem desconhecia os motivos do protesto. Também não conhecia Francisco dos Santos Silva, de 37 anos, o pedreiro que ele matou.
Pai de três filhos, Barbosa deseja o impossível: "voltar no tempo", e conforma-se apenas em imaginar como seria o encontro com a família do pedreiro morto. "Eu pediria desculpas, muita, muita, muita".
Manifestação - As pessoas que participaram do protesto na noite de terça reivin dicavam uma lombada eletrônica como forma de reduzir a velocidade dos carros na via, depois que três acidentes assustaram os moradores.
Apesar da tentativa de conter a violência no trânsito, e pela paz, acabaram presenciando um assassinato.
Hoje, mais um acidente mostrou que os morador es têm motivo para prot estar. Ou tra co lisão deixou uma mulher ferida.
Ana Macedo, 39 anos, foi socorrida pelo Samu (Serviço Móvel de Atendimento de Urgência), mas o motociclista que a atropelou fugiu.

Fonte: Campo Grande News

Interpretação


Texto I:


1. Você acha justa a afirmação de que “ladrão se mata com tiro”? Quais os prós e contras desta afirmação?


2. Embora o leiteiro procurasse entregar o leite de modo a não fazer barulho, de vez em quando topava com vários        obstáculos, interrompendo o silêncio. Cite alguns.

3. “E há sempre um senhor que acorda, resmunga e volta a dormir.” Por que naquela madrugada um morador acordou em pânico?

               4. Que expressão mostra que o morador pegou o revólver com rapidez e sem pensar no que estava fazendo?

              5. O homem se sentiu culpado pela atitude impensada que tomou? Que frases ou expressões comprovam isso?

6.  O texto explora a temática do medo da violência das cidades. A expressão "luta brava da cidade" faz referência a que elementos e situações da vida moderna?

7. No momento da morte do leiteiro, o leite (branco) mistura-se com o sangue (vermelho) criando uma nova tonalidade, que representa a cor da aurora. O que a imagem deste amanhecer representa no final do texto?


                 Texto II:


             8. O Texto II é fição (invenção) ou realidade? Justifique sua resposta.

             9. Qual é o objetivo deste texto: informar ou entreter?

10. Um protesto contra violência no trânsito acabou gerando um caso de morte. Isto aconteceu por quê? Que motivos levaram o empresário a usar sua arma?






Agora é um ótimo momento para sistematizar as características da linguagem poética (Texto I) e da linguagem jornalística (Texto II). Vamos preencher o quadro abaixo refletindo sobre as diferenças e semelhanças existentes entre os dois textos:


Diferenças

Texto I
Texto II














Semelhanças





domingo, 29 de agosto de 2010

Estranhamento do Objeto



Existe uma brincadeira com a linguagem, um exercício chamado estranhamento do objeto, que ajuda a aguçar os sentidos, a torná-los mais “afiados” para perceber a realidade. Funciona assim: escolhemos um objeto qualquer para descrever, isto é, para explicar como ele é, mas fazendo de conta que é algo estranho, por isso não podemos indicar o nome dele, nem dizer claramente para que ele serve. Observando as características do objeto que podem ser percebidas pelos sentidos – cor, som, cheiro, sabor, textura, etc.  – e usando a imaginação, vamos oferecendo dicas, pistas e informações indiretas para o leitor.
Como exemplo, leia o texto abaixo e tente identificar o objeto descrito. Quando você descobrir o que é, não diga nada a seus colegas; espere até que eles também cheguem a uma conclusão.


“Na maioria das vezes tenho a forma de um tijolo. Claro que não sou tão grande quanto ele.
Sou uma casa, com muitos habitantes bastante magros e de cabelos negros.
Geralmente sou escura e em uma de minhas paredes possuo um painel colorido, cobrindo-me inteirinha. Em outras duas paredes, possuo algo parecido com lixas, que são verdadeiras armas contras meus habitantes. Se esbarram com força nelas, eles morrem, soltando um cheiro característico.
Não custo caro. Aliás, acho quase impossível viver sem minha presença. Sou muito útil em qualquer lugar, em qualquer parte do mundo. Mas ninguém me dá o devido valor: cada habitante meu que morre é simplesmente jogado fora.”

Agora é você quem tentará criar um texto usando o método do estranhamento do objeto. Escolha um objeto que você quiser, mas não revele aos colegas a sua escolha.
Faça uma lista identificando as características mais interessantes ou importantes do objeto que você escolheu.
Procure associar estas características aos sentidos (cheiro, cor, som, sabor, textura, etc.)
Se possível, use comparações; elas são uma boa forma de apontar uma característica de um objeto, sem revelar o nome dele. Para descrever uma bola de futebol, diga:  “Esse objeto parece uma lua.”
Lembre-se de que as informações precisam ser indiretas, senão o leitor descobre muito facilmente qual é o objeto.


terça-feira, 10 de agosto de 2010

O amor acaba

Paulo Mendes Campos


O amor acaba. Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar; de repente, ao meio do cigarro que ele atira de raiva contra um automóvel ou que ela esmaga no cinzeiro repleto, polvilhando de cinzas o escarlate das unhas; na acidez da aurora tropical, depois duma noite votada à alegria póstuma, que não veio; e acaba o amor no desenlace das mãos no cinema, como tentáculos saciados, e elas se movimentam no escuro como dois polvos de solidão; como se as mãos soubessem antes que o amor tinha acabado; na insônia dos braços luminosos do relógio; e acaba o amor nas sorveterias diante do colorido iceberg, entre frisos de alumínio e espelhos monótonos; e no olhar do cavaleiro errante que passou pela pensão; às vezes acaba o amor nos braços torturados de Jesus, filho crucificado de todas as mulheres; mecanicamente, no elevador, como se lhe faltasse energia; no andar diferente da irmã dentro de casa o amor pode acabar; na epifania1 da pretensão ridícula dos bigodes; nas ligas, nas cintas, nos brincos e nas silabadas femininas; quando a alma se habitua às províncias empoeiradas da Ásia, onde o amor pode ser outra coisa, o amor pode acabar; na compulsão da simplicidade simplesmente; no sábado, depois de três goles mornos de gim à beira da piscina; no filho tantas vezes semeado, às vezes vingado por alguns dias, mas que não floresceu, abrindo parágrafos de ódio inexplicável entre o pólen e o gineceu de duas flores; em apartamentos refrigerados, atapetados, aturdidos de delicadezas, onde há mais encanto que desejo; e o amor acaba na poeira que vertem os crepúsculos, caindo imperceptível no beijo de ir e vir; em salas esmaltadas com sangue, suor e desespero; nos roteiros do tédio para o tédio, na barca, no trem, no ônibus, ida e volta de nada para nada; em cavernas de sala e quarto conjugados o amor se eriça e acaba; no inferno o amor não começa; na usura o amor se dissolve; em Brasília o amor pode virar pó; no Rio, frivolidade; em Belo Horizonte, remorso; em São Paulo, dinheiro; uma carta que chegou depois, o amor acaba; uma carta que chegou antes, e o amor acaba; na descontrolada fantasia da libido; às vezes acaba na mesma música que começou, com o mesmo drinque, diante dos mesmos cisnes; e muitas vezes acaba em ouro e diamante, dispersado entre astros; e acaba nas encruzilhadas de Paris, Londres, Nova Iorque; no coração que se dilata e quebra, e o médico sentencia imprestável para o amor; e acaba no longo périplo, tocando em todos os portos, até se desfazer em mares gelados; e acaba depois que se viu a bruma que veste o mundo; na janela que se abre, na janela que se fecha; às vezes não acaba e é simplesmente esquecido como um espelho de bolsa, que continua reverberando sem razão até que alguém, humilde, o carregue consigo; às vezes o amor acaba como se fora melhor nunca ter existido; mas pode acabar com doçura e esperança; uma palavra, muda ou articulada, e acaba o amor; na verdade; o álcool; de manhã, de tarde, de noite; na floração excessiva da primavera; no abuso do verão; na dissonância do outono; no conforto do inverno; em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba.
1. No sentido literário, epifania é um momento privilegiado de revelação quando ocorre um evento que "ilumina" a vida da personagem.
O amor acaba - Crônicas líricas e existenciais. 2ª- ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000.