Quando da bela vista e doce riso
Tomando estão meus olhos mantimento,
Tão enlevado sinto o pensamento
Que me faz ver na terra o Paraíso.
Tanto do bem humano estou diviso,
Que qualquer outro bem julgo por vento;
Assi que em caso tal, segundo sento,
Assaz de pouco faz quem perde o siso.
Em vos louvar, Senhora, não me fundo,
Porque, quem vossas cousas claro sente,
Sentirá que não pode merecê-las.
Que de tanta estranheza sois ao mundo,
Que não é de estranhar, Dama excelente,
Que quem vos fez fizesse céu e estrelas.
Vocabulário:
Tomando mantimento: tomando consciência
Estou diviso: estou separado
Sento: sinta
Não me fundo: não me empenho
1. Caracterize brevemente a concepção de mulher que este soneto apresenta.
2. Aponte duas características desse soneto que o filiam ao Classicismo, explicando-as sucintamente.
Texto II:
Amor é fogo que arde sem se ver;
é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente;
é dor que desatina sem doer;
É um não querer mais que bem querer;
é solitário andar por entre a gente;
é nunca contentar-se de contente;
é cuidar que se ganha em se perder;
É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata lealdade.
Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?
Luís de Camões
3. O poema tem, como característica, a figura de linguagem denominada antítese, relação de oposição de palavras ou idéias. Assinale a opção em que essa oposição se faz claramente presente.
a) “Amor é fogo que arde sem se ver.”
b) “É um contentamento descontente.”
c) “É servir a quem se vence, o vencedor.”
d) “Mas como causar pode seu favor.”
e) “Se tão contrário a si é o mesmo Amor?”
4. O poema pode ser considerado como um texto:
a) argumentativo.
b) narrativo.
c) épico.
d) de propaganda.
e) teatral.
5.Como se denomina a forma em que está composto?
6.É um exemplo de medida nova ou medida velha? Por quê?
7. Qual a figura de linguagem presente em todo o poema e
por que ela foi utilizada?
8. O que a indagação final revela?
9. Na lírica de Camões:
a) O metro usada para a composição dos sonetos é a redondilha maior.
b) Encontram-se sonetos, odes, sátiras e autos.
c) Cantar a pátria é o centro das preocupações.
d) Encontra-se uma fonte de inspiração de muitos poetas brasileiros do século XX.
e) A mulher é vista em seus aspectos físicos, despojada de espiritualidade.
10. “No mar, tanta tormenta e tanto dano,
Tantas vezes a morte apercebida;
Na terra, tanta guerra, tanto engano,
Tanta necessidade aborrecida!
Onde pode acolher-se um fraco humano,
Onde terá segurança a curta vida,
Que não se arme e se indigne o céu sereno
Contra um bicho da terra tão pequeno?”
Nesta estrofe, Camões:
a) exalta a coragem dos homens que enfrentam os perigos do mar e da terra.
b) considera quanto o homem deve confiar na providência divina que o ampara nos riscos e adversidades.
c) lamenta a condição humana ante os perigos, sofrimentos e incertezas da vida.
d) propõe uma explicação a respeito do destino do homem.
e) classifica o homem como um bicho da terra, dada a sua agressividade.
11. Por que o Renascimento tem esse nome?
12. Ilustra a situação literária do período renascentista, exceto:
a) Os melhores autores da Antiguidade greco-latina foram tomados como modelos ideais.
b) Na produção lírica, predominou o amor paixão, relegando-se a segundo plano o amor como idéia, mais espiritualizado.
c) O princípio da imitação literária existiu, mas não significou cópia servil dos textos imitados.
d) O desenvolvimento da razão levou os autores ao desejo de analisar, de conhecer, de sistematizar o fenômeno literário.
e) Criação de uma estética de caráter antes racional do que baseado na impulsão dos sentidos.
13. Assinale a alternativa incorreta sobre Os Lusíadas.
a) Os Lusíadas são a mais importante epopéia de todo o Renascimento europeu, e está entre as maiores de todos os tempos.
b) Por ser a maior glória da língua e literatura portuguesa, Os Lusíadas tornaram-se referência obrigatória, influindo na poesia brasileira e portuguesa dos séculos posteriores.
c) Os Lusíadas são um canto de louvor à glória do povo português, verdadeiro protagonista do poema, como sugere o próprio título, que significa “os lusitanos”, isto é, “os portugueses”.
d) Sem duvida, o tom patriótico que exalta a superioridade lusitana é muito forte em Os Lusíadas, o que dá ao poema um valor exclusivamente nacionalista.
e) Desde o primeiro verso de Os Lusíadas (“As armas e os barões assinalados”), nota-se que um dos modelos importantes do poema de Camões é a Eneida, de Virgílio, que apresenta no início uma frase imitada pelo poeta português: “Arma uirunque cano...” (eu canto as armas e o varão...)
14. Assinale a alternativa correta.
a) Os Lusíadas têm como maior herói o rei D. Sebastião, celebrado como o responsável pela expedição de Vasco da Gama à Índia.
b) O sentimento cristão declarado de Os Lusíadas impede a manifestação do erotismo, que a mitologia greco-latina contém.
c) Os Lusíadas são um poema épico de exaltação nacionalista, pois celebram os grandes feitos dos portugueses. No entanto, Camões ultrapassa a particularidade nacional ao celebrar os valores universais da civilização européia.
d) O episódio de Inês de Castro não tem fundamento histórico, trata-se de uma bela ficção crida pela genial imaginação de Camões.
e) Os Lusíadas nada têm de aristocrático, como se pode notar na intenção de exaltar todo o povo português, e não somente uma elite.
15 .Assinale a alternativa correta.
a) Camões compôs sua poesia lírica em versos de medida velha (origem ibérica medieval) e medida nova (origem italiana renascentista).
b) Destacam-se, entre os poemas líricos de Camões, os sonetos, em que são mínimas as influências do poeta humanista italiano Petrarca e do filósofo clássico grego Platão.
c) Na poesia lírico-amorosa, Camões esteve estritamente ligado à perspectiva neoplatônica, o que explica a inexistência de erotismo em seus sonetos.
d) Entre os temas da lírica camoniana, destaca-se o do “desacerto do mundo”, segundo o qual a natureza do mundo é contraditória e estática,
e) Há, na poesia lírica de Camões, um total abandono de temas bíblicos e cristãos e uma adesão completa ao paganismo greco-latino.
Texto V
Esparsa
Os bons vi sempre passar
No mundo grandes tormentos;
E, para mais m`espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mal, mas fui castigado:
Assi que, só para mim
Anda o mundo concertado.
16. Assinale a alternativa correta.
a) Poema épico em “medida velha”; temática neoplatônica.
b) Poema satírico em “medida nova”, tematizando o desacerto do mundo.
c) Poema lírico de “medida velha”, tematizando o desconcerto do mundo.
d) Poema dramático em “medida nova” sobre o pessimismo.
e) Poema lírico em “medida nova” sobre a mutabilidade de todas as coisas.
Texto VI
As armas e os barões assinalados,
Que da ocidental praia lusitana,
Por mares nunca dantes navegados,
Passaram, ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados,
Mais do que prometia a força humana.
E entre gente remota edificaram
Novo reino, que tanto sublimaram.
E também as memórias gloriosas
Daqueles reis, que foram dilatando
A Fé, o Império e as terras viciosas
De África e de Ásia, andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Cessem do sábio grego e do troiano
As navegações grandes que fizeram:
Cale-se de Alexandro e de Trajano
A fama das vitórias que tiveram,
Que eu canto o peito ilustre lusitano,
A quem Netuno e Marte obedeceram:
Cesse tudo o que a Musa antiga canta,
Que outro valor mais alto se alevanta.
17. Assinale a alternativa incorreta.
a) Essas estrofes, que abrem Os Lusíadas, contêm a Proposição do poema.
b) O desdobramento do mar desconhecido, a descoberta do caminho marítimo para a Índia, a expansão do Império português e do cristianismo por África e Ásia são o assunto do poema.
c) O poema afirma a superioridade das navegações e dos feitos dos heróis portugueses perante os de Grécia e Roma antigas.
d) O primeiro verso de Os Lusíadas imita a abertura da Eneida, de Virgílio, onde se lê: “Arma uirumque cano... “ (eu canto as armas e o varão...).
e) O poeta se diz capaz de libertar os homens da lei da morte, por força de seu engenho e arte.
Texto VII:
Alegres campos, verdes arvoredos,
Claras e frescas águas de cristal,
Que em vós os debuxais ao natural,
Discorrendo da altura dos rochedos;
Silvestres montes, ásperos penedos,
Compostos em concerto desigual,
Sabei que, sem licença de meu mal,
Já não podeis fazer meus olhos ledos.
E, pois me já não vedes como vistes,
Não me alegrem verduras deleitosas,
Nem águas que correndo alegres vêm.
Semearei em vós lembranças tristes,
Regando-vos com lágrimas saudosas,
E nascerão saudades de meu bem.
18. Assinale a alternativa errada.
a) O poema inicia com uma apóstrofe aos “alegres campos”, aos “verdes arvoredos” e às “claras e frescas águas”, isto é, a natureza é a interlocutora do eu lírico.
b) Na segunda estrofe, o eu lírico declara à paisagem que ela não pode mais alegrar seus olhos, pois ele é dominado por um mal que o impede de ser feliz.
c) A terceira estrofe explica que a impossibilidade de a agradável paisagem alegrar o eu lírico se deve a uma mudança que este sofreu.
d) Na quarta estrofe, o eu lírico declara sua disposição de modificar a paisagem, semeando nela o que nele está: “lembranças tristes”, que regadas de lágrimas farão nascer “saudades de meu bem” .
e) O poema, como um todo, tematiza a harmonia entre a aspereza da paisagem bucólica e a delicadeza de sentimentos do eu lírico.
19. Em linhas gerais, o que foi o Renascimento?
Texto IX
Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida descontente,
Repousa lá no céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.
20. A quem Camões se dirige nos versos citados, que iniciam um célebre soneto do autor?
21. Como se deu a morte da pessoa aludida nos versos?