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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

E agora José?

As questões a seguir referem-se ao texto abaixo:


E AGORA, JOSÉ?

A festa acabou,


a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José ?

e agora, você ?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama protesta,

e agora, José ?



Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José ?



E agora, José ?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua lavra de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio - e agora ?



Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora ?



Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse…

Mas você não morre,

você é duro, José !



Sozinho no escuro

qual bicho-do-mato,

sem teogonia,

sem parede nua

para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José !

José, pra onde ?


1. José teria, segundo o poeta, possibilidades de alterar seu destino. Essas possibilidades estão sugeridas:
a) na 5ª e 6ª estrofes
b) na 1ª, 2ª e 3ª estrofes
c) na 3ª, 4ª e 6ª estrofes
d) na 4ª e 5ª estrofes
e) n.d.a.

2. Só não é linguagem figurada:
a) sua incoerência, seu ódio
b) seu instante de febre
c) seu terno de vidro
d) sua lavra do ouro
e) n.d.a.

3. Das possibilidades sugeridas pelo poeta para que José mudasse seu destino, a mais extremada está contida no verso:
a) "se você tocasse a valsa vienense"
b) " se você morresse"
c) José, para onde?"
d) "quer ir pra Minas"
e) n.d.a.

4. Para o poeta, José só não é:
a) alguém realizado e atuante
b) um solitário
c)um joão-ninguém frustrado
d)alguém sem objetivo e desesperançado
e) n.d.a.

5. "A noite esfriou" é um verso repetido. Com isso o poeta deseja:
a) deixar bem claro que José foi abandonado por que fazia frio
b) traduzir a idéia de que José sentiu frio porque anoiteceu
c) exprimir que, após o término da festa, a temperatura caíra
d)intensificar o sentimento de abandono, tornando-o um sofrimento quase físico
e) n.d.a.

6. O verso que exprime concisamente que José é "ninguém" é:
a) "você que faz versos"
b) "a festa acabou"
c) "você que é sem nome"
d) "que zomba dos outros"
e) n.d.a.

7. O verso que expressa essencialmente a idéia de um José sem norte é:
a) "José, para onde?"
b) "sozinho no escuro"
c) "mas você não morre"
d) "e tudo fugiu"
e) n.d.a.

8. Assinale a alternartiva falsa a respeito do texto:
a) José é alguém bem individualizado e a ele o poeta se dirige com afetividade
b) O ritmo dos versos da quinta estrofe é dançante
c) "sem alegoria" signific "sem deuses", "sem credo", "sem religião"
d) os versos são em redondilha menor porque tal ritmo se ajusta perfeitamente à intimidade, singeleza e espontaneidade das idéias.
e)n.d.a.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Drummond

Texto I: Confidência do Itabirano (Drummond)

Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.

A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
Vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.

De Itabira trouxe prendas que ora te ofereço:
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...

Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!

1. De que palavra se utiliza o poeta para mostrar que ter nascido em Itabira o fez diferente?

2. Por que ele diz ser “de ferro”? Em que outro sentido estão também usadas estas palavras no poema?

3. O poeta guardou de Itabira a lembrança das noites em claro, de uma vida sem distrações e sem perspectivas. Que verso exprime isso?

4. Que espécie de sentimento quis o poeta exprimir com os versos relativos à fotografia de Itabira?


5. Depois de falar em orgulho o poeta fala em cabeça baixa. Esta expressão denuncia a existência também de um sentimento oposto ao orgulho. Que sentimento é esse?


Texto II: Os Ombros Suportam O Mundo (Drummond)
Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

6. Em três versos o poeta exprime sua recusa em aceitar o amor apenas do homem pela mulher. Que versos são esses?

7. Em que verso o poeta resume os grandes problemas que afligem o mundo atual?

8. Como o poeta se refere àquele que se recusam a enfrentar a realidade que os cerca?

9. Embora sozinho e nada mais esperando da vida, o poeta parece enxergar uma luz de esperança na escuridão. Em que verso ele exprime isso?

10. Que expressão é usada para sugerir que o peso dos problemas que o cercam não o abate?

Texto III: Mãos Dadas (Drummond)
Não serei o poeta se um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
A vida presente.

11.“Não serei o poeta de um mundo caduco”.Que sentimento tem o adjetivo caduco nesse verso?

12. Transcreva do texto o verso em que o eu lírico expressa claramente seu desejo de solidarizar-se com os homens e não de isolar-se.

13.O que há de comum entre “mundo caduco” e “mundo futuro” para que o eu lírico se recuse a cantá-los?

14. Transcreva os versos em que o eu lírico se recusa a usar a poesia como simples expressão sentimental do seu mundo interior